Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/09/2020

Segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, vivemos em um contexto marcado pelo individualismo, em que as relações estão cada vez mais frágeis. Dessa forma, é possível analisar a cultura do cancelamento como um rompimento de relações, seja voltado para um grupo ou pessoa específica. Portanto, faz-se necessário refletir sobe tal quadro, que embora possa ser visto como falta de empatia pelo próximo, pode possibilitar mobilizações em massa, em prol dos direitos humanos.

Por um lado, é importante destacar que o ato de cancelar alguém, na maior parte das vezes, não possibilita diálogo e resolução do motivo do cancelamento. Uma vez que se é exposto na internet, em horas, milhares de usuários tomam conhecimento, se opõem ao fato e compartilham-o. Devido a toda a pressão sofrida e falta de empatia dos internautas, uma série de problemas psicológicos podem ser desencadeados, como ansiedade e depressão. Essa situação negligencia o Artigo 196 da Constituição Federal, que prevê como dever do Estado a saúde preventiva dos cidadãos, o que engloba estabilidade psicológica.

Por outro lado, vale ressaltar que associações pela internet não são de todo mal.  É possível inferir que o meio virtual facilita debates sobre temas de extrema importância, como igualdade racial e de gênero. O movimento “‘Black Lives Matter” (Vidas negras importam), por exemplo, surgiu nos Estados Unidos e se espalhou por todo o mundo. Pessoas de vários países unidos na internet, manifestando-se por direitos e tratamento igualitário. Verifica-se, portanto, que não apenas para cancelamento que se difundem ideias pela internet, apenas depende da intenção e tolerância do usuário.

Com o intuito de amenizar essa problemática, é necessário uma parceria entre Ministério da Educação e da Mulher, Família e Direitos Humanos. À vista de formar melhores cidadãos, debates e projetos sobre empatia e tolerância devem ser instituídos, principalmente em aulas voltadas para o estudo do ser e da sociedade, como Filosofia e Sociologia. Dessa maneira, a educação conteudista atual pode tornar-se mais humanizada, evitando assim o cancelamento e suas consequências.