Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 09/09/2020
Desde o fim da Guerra Fria, o mundo passa pela globalização. Dessa maneira, a dinâmica das relações sociais foi modificada e o globo está cada vez mais conectado, sobretudo através da internet. Nesse contexto, um traço histórico-social do ser humano ganhou notoriedade devido à amplitude das novas conexões: a capacidade de julgar o outro. Observa-se a relevância dessa característica na “cultura do cancelamento”, onde um indivíduo é — porque possivelmente cometeu um erro, ou às vezes só estava expondo sua opinião — linchado e “cancelado” pelas comunidades da rede online devido suas ações ou falas. Isso é perenizado pela falta de empatia e o pensamento de que a internet é uma “terra sem lei”, devido o sentimento de anonimato e falsa segurança.
Cabe pontuar, primeiramente, a empatia como sendo o sentimento de compreensão e solidariedade para com os outros indivíduos, assim como a suas ideias e falhas. Nesse sentido, o sociólogo alemão Karl Marx aponta: o capitalismo “rasgou o véu da emoção e reduziu os vínculos a meras relações monetárias”. Observa-se, portanto, que a macroestrutura regida pelo capital desumanizou as pessoas e dizimou seu sentimento de empatia pelos outros. Dessa maneira, a “cultura do cancelamento” é perpetuada por esse obscurantismo das relações humanas, aonde não existe mais o sentimento de fraternidade e união, deixando as associações comunitárias com uma gama de egoísmo, julgamento e narcisismo, que com o avanço das redes sociais e a globalização, acaba deixando todos vulneráveis à arbitragem do cancelamento.
Vale mencionar, ainda, a relação da internet com o sistema judiciário. Nesse contexto, as interações online são visualizadas como abertas e livres pelos participadores, já que existe o pensamento cristalizado de que a internet é uma “terra sem lei”, por causa do anonimato concedido pelo meios de comunicação modernos — redes sociais através de computadores e celulares. Nesse sentido, a cultura da exclusão é eternizada por essa concepção errônea, já que na no momento de julgar e ofender, a noção de segurança e constitucionalidade é deturpada pelo sentimento de proteção.
Portanto, fica clara a necessidade de união civil-estatal para amenizar a problemática. Por isso, é imperativo que o Ministério da Educação torne obrigatória a matéria “Cidadania e Educação” nas escolas, aonde os alunos devem ser ensinados a respeitar as diferenças entre as pessoas e manter a empatia, lembrando constantemente que essa é a base para uma sociedade harmônica e plural. Além disso, deve-se ensina-lós a usar a internet e seus artifícios de maneira consciente e moderada, visando quebrar o senso comum de “internet é uma terra sem lei”. Assim, haverá uma redução na adversidade e a sociedade tornar-se-à mais solidária e empática.