Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 09/09/2020

A obra “Outono da Idade Media”, de Johan Huizinga, retrata o período de 1400, cujo as programações europeias mais atrativas eram assistir a execuções. Nesse sentido, é possível perceber que a bastante tempo a humanidade gosta de julgar socialmente as pessoas, e a herança dessa construção é o que pode-se ver na internet: a patrulha anônima de cancelamento causando linchamento virtual em massa. Desse modo, há de se exibir diariamente, a face tecnológica da hipocrisia humana pautada em ressentimento contemporâneo.

Em primeiro lugar, é importante pontuar que inicialmente a cultura do cancelamento era uma forma  de chamar a atenção para causas como justiça social e preservação ambiental. Dessa forma,  amplificaria a voz de grupos oprimidos e forçaria ações políticas de marcas ou figuras públicas, as quais muitas vezes faziam atitudes questionáveis e inadimplentes. Entretanto, com o passar dos anos, tais atos de justiçamentos, tornaram- se crescentes, e qualquer pessoas pode cancelar alguém; nesse contexto pode-se mencionar a frase do filósofo iluminista francês voltaire “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las”. Por isso, é pertinente essa forma de silenciamento nas pessoas, gerando assim, o medo de postagem, ou até mesmo o autoflagelamento semanal daqueles que erraram, para assim demonstrar publicamente suas contribuições, e por fim serem perdoados.

Em segundo lugar, pode-se afirmar que esse lixamento social é vilão da evolução humana, pois uma vez cancelado, a internet cruelmente, não perdoará seu avanço como pessoa. Além disso, percebe-se que a lógica na internet, ao contrário do que prega o Estado de Direito, é a de que todo mundo é culpado até que se prove o contrário, provando assim a distopia enorme que essa mazela se encontra. Seria um erro, contudo, não mencionar o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, e sua tese sobre essa sociedade moderna pautada em liquidez, e os jovens que nela se encontram, cada vez mais solitários e indeterminados . Dessa maneira, esse linchamento virtual é uma visibilidade muito ostensiva , jugando outras  para ganhar engajamento, reflexo da carência dessa geração maleável e individualista.

Portanto, é mister a necessidade de intervir na cultura de cancelamento na sociedade contemporânea. Por isso, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com as escolas de todo país, promoverem campanhas de cunho social, por meio de palestras educacionais nesse ambiente, reforçando aos jovens a ideia  de que todos estamos sujeitos ao erros por sermos racionais, com finalidade de mudar esses atos de ódio, que fere a dignidade humana -um direito fundamental- tal qual a liberdade de expressão. Por fim, essa sociedade seja desconstruída, e construa-se uma mais empática e tolerante.