Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 08/09/2020

Segundo o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vive-se em um contexto marcado pelo individualismo, em que as relações estão cada vez mais frágeis. Dessa forma, é possível analisar a cultura do cancelamento como um rompimento de relações, seja voltado para um grupo ou pessoa específica. Portanto, faz-se necessário refletir sobe tal quadro, que embora possa ser visto como falta de empatia pelo próximo, pode possibilitar mobilizações em massa, em prol dos direitos humanos.

Por um lado, é importante destacar que o ato de cancelar alguém, na maior parte das vezes, não possibilita diálogo e resolução do motivo do cancelamento. Uma vez que se é exposto na internet, em horas, milhares de usuários tomam conhecimento, se opõem ao fato e compartilham-o. De acordo com o jornal Correio Braziliense, nessa circunstância não há uma busca por se colocar no lugar do outro. Devido a toda a pressão sofrida e falta de empatia dos internautas, uma série de problemas psicológicos podem  surgir, como ansiedade e depressão. Em um cenário de uma grande desestabilização emocional, pode ser desencadeadas situações mais graves, como suicídio e, por isso, devem ser evitadas.

Por outro lado, vale ressaltar que associações pela internet não são de todo mal.  É possível inferir que o meio virtual facilita debates sobre temas de extrema importância, como igualdade racial e de gênero. O movimento “‘Black Lives Matter” (Vidas negras importam), por exemplo, surgiu nos Estados Unidos e se espalhou por todo o mundo. Pessoas de vários países unidos na internet, manifestando-se por direitos e tratamento igualitário. Verifica-se, portanto, que não apenas para cancelamento que se difundem ideias pela internet, apenas depende da intenção e tolerância do usuário.

Com o intuito de amenizar essa problemática, é necessário uma parceria entre Ministério da Educação e da Mulher, Família e Direitos Humanos. À vista de formar melhores pessoas, debates e projetos sobre empatia e tolerância devem ser instituídos, principalmente em aulas voltadas para o estudo do ser e da sociedade, como Filosofia e Sociologia. Dessa maneira, a educação conteudista atual pode tornar-se mais humanizada, gerando assim, cidadãos intruídos e que respeitem aos Direitos Humanos.