Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 31/08/2020
A Cultura do Cancelamento e Sua Proporção Na Atualidade
Nos últimos anos, com o uso exacerbado das redes sociais, tornou-se comum o boicote de determinadas personalidades por alguma atitude ou posicionamento considerados errados perante a sociedade. É inegável que essa cultura do cancelamento trouxe consigo a necessidade da exposição de problemas sociais na internet. Em contrapartida, há dúvidas se, a longo prazo, essa política funciona efetivamente no combate de problemas estruturais da sociedade.
É fato que exibir problemas frequentes na sociedade é de extrema importância e, nas redes sociais, isso se tornou comum. A hashtag “Me too” foi utilizada para expor relatos de assédio sexual na internet, gerando conforto ás vítimas, “cancelamento” dos culpados e, consequentemente, responsabilização legal pelos seus atos, evidenciando o fato de que essa política pode ajudar na demonstração de transgressões sociais através da internet.
Por outro lado, a cultura do cancelamento não resolve, de fato, problemas enraizados no corpo social, como o preconceito de maneira geral, pois perdeu-se o senso de proporção em relação a isso. Além de responsabilizar os culpados por reproduzir atitudes relacionadas aos problemas estruturais da sociedade, é necessário fazê-lo entender do que se trata, o que a política do cancelamento não faz, pelo contrário, exclui o indivíduo da socialização, fazendo-o passar por linchamentos, em sua maioria virtuais, o que põe em jogo a eficácia dessa cultura.
Percebe-se, portanto, que essa onda de julgamentos pode ser favorável no que diz respeito à responsabilização dos culapados por transgressões sociais, porém é necessário que haja consciência de proporção e necessidade. Além disso, o cancelamento não resolve problemas estruturais da sociedade, pois não promove a ressocialização e correção dos erros, mas sim a exclusão dos possíveis culapados sem que haja chances de mudanças por parte dos mesmos.