Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 31/08/2020

Durante o Movimento Impressionista, a obra de arte “Ponte sobre uma lagoa de lírios de água”, de Claude Monet, transmite ao observador uma impressão de tranquilidade e plenitude. Igualmente, essa fusão de sentimentos é afastada ao tratar-se da cultura do cancelamento, visto que esse ataque a reputação do indivíduo gera graves consequências, necessitando um debate na sociedade contemporânea, com o efeito de mitigar a problemática. Eventualmente, verifica-se uma desarmonia nesse cenário, em virtude da influência de fatores históricos e da vagarosa mudança coletiva.

Em primeiro plano, é válido salientar que o desejo de punição, partida da própria sociedade, pela realização de condutas consideradas inadequadas não é atual, já que durante a Civilização Babilônia o Código de Hamurabi trazia a lei de talião, onde permitia-se a retratação de penalidades em igual medida do sofrimento. Paralelamente, a cultura do cancelamento propõe, em sua grande maioria, a punição de atitudes errôneas através de discursos de ódio, com a finalidade de impactar o oprimido. Todavia, é notório dizer debates possuem um caráter negativo, posto que a carência de posicionamentos que busquem mudanças nas atitudes são escassas e o que se sobrepõe são as criticas e ataques.

Outrossim, é evidente a regressão social por grande parte da população em não se atentar ao alcance das mensagens de ira. Nesse sentido, conforme Hannah Arendt a massificação da sociedade produz uma multidão incapaz de realizar julgamentos morais e que cumpre, dessa forma, uma ordem sem questionar e o mal, por conseguinte, torna-se banal. Partindo dessa verdade, é considerável aceitar que os adeptos a prática do cancelamento, muitas vezes, não possuem o entendimento do que realmente está acontecendo no ambiente virtual e das consequências que essa prática causa, diante disso essa forma de engajamento é tomada como algo comum nas redes sociais e que sua realização nao requer cuidados tornando-se, assim, um hábito natural.

Em suma, é inquestionável que uma mudança de valores é necessária para resolver esse caso. Destarte, cumpre ao Ministério da Educação criar um programa nacional que aborde com os jovens, posto que compõe boa parte dos usuários das redes sociais, maneiras de reagir de forma complacente as situações ofensivas, por meio de debates e da realização de projetos que evidenciem o diálogo para instrução do que é correto, com o intuito de formar cidadãos menos intolerantes. Por fim, compete a Sociedade mobilizar os internautas do ciberespaço a destruir a cultura do cancelamento, por intermédio de hashtags, a fim de construir um ambiente mais pacífico. Com essas medidas, quiçá, garantir-se-á uma sociedade permeada pelos elementos harmônicos da pintura de Monet.