Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/08/2020
A cantora brasileira Anitta foi cancelada na internet depois de ter sido acusada de se valer do público LGBT sem defender as bandeiras da causa e usar a negritude apenas quando lhe convém. Diante disso, surge o debate acerca da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea. Apesar, de ter derivado de causas bastantes justas e bem intencionadas, a cultura do cancelamento caminhou para a intolerância, afetando a liberdade de expressão e obrigando as pessoas a agirem de acordo com o pensamento comum para não serem canceladas.
A priori, um dos motivos que tornam o movimento do cancelamento negativo é o fato das pessoas passarem a julgar a forma de comportamento e pensamento do próximo como uma forma de tribunal da internet, afetando assim, a livre circulação de ideias. Nota-se, tal conduta principalmente no mundo de famosos e digitais influencers que compartilham suas vidas nas redes sociais. Nesse contexto, de acordo com o professor e sociólogo Marco Antônio de Almeida da Universidade de São Paulo (USP), apesar das boas intenções por trás do cancelamento virtual, o comportamento prejudica o debate democrático. “A cultura do cancelamento é uma cultura equivocada, na medida em que ela não permite justamente o livre debate de ideias e a circulação de opiniões distintas, algo saudável para a democracia.” Dessa forma, vê-se que o cancelamento virtual afeta de maneira significativa o direito a expressão que é essencial para formação de uma sociedade justa.
Ademais, o cancelamento gera nas pessoas um comportamento comum de ações consideradas bem vistas na sociedade com o objetivo de não serem alvos do ataque desse movimento. Nesse espectro, a série “Black Mirror”, episódio Queda livre, mostra uma sociedade midiatizada em que as pessoas precisam passar uma boa imagem para não ganhar uma nota baixa das pessoas com quem elas se relacionam. Caso elas estejam abaixo do aceitável pela população são canceladas da sociedade e são consideradas uma pessoal mal vista. Desse modo, depreende-se portanto, que a cultura do cancelamento atua de forma negativa na vida das pessoas pelo fato delas aderirem a uma imagem pessoal falsa que será aceita pela sociedade virtual para não sofrem ataques derivados do cancelamento.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Justiça deve criar uma lei de proibição a cultura do cancelamento nas redes sociais por meio de uma campanha na internet em que seja alertado as pessoas que elas não possuem autoridade de julgamento aos atos do próximo, visando alertar principalmente sobre o direito a liberdade de expressão. Assim, minimizando os efeitos da cultura do cancelamento na sociedade contemporânea.