Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/08/2020

Em 2017, a expressão “cancelamento” surgiu para dar nome a uma prática virtual que já vinha acontecendo: o “linchamento” de personalidades (famosas ou não) que cometeram alguma violência dentro ou fora do espaço virtual. Porém, essa prática virtual que foi difundida a partir de movimentos de denúncia nas redes sociais (que expõem casos de agressão sexual) vêm sendo utilizada de maneira equivocada, ou seja, para ser “cancelado” não é mais necessário ter cometido um crime.

Embora o “cancelamento” de grandes personalidades ganhem mais repercussão, nas últimas semanas, o americano Emmanuel Cafferty de 47 anos (que sequer tinha uma conta no Twitter) se viu engolido pela onda do cancelamento quando um vídeo seu fazendo um sinal de “OK” com as mãos para fora da janela do carro foi parar na internet. Isso porque, nos Estados Unidos o “cancelamento” passou a ser usado como uma conotação racista por alguns fóruns online de supremacistas brancos. Além disso, a Liga Anti-Difamação (que combate há décadas discursos de ódio) incluiu o gesto feito por Cafferty na lista de símbolos de ódio, levando Emmanuel a perder o emprego sem ao menos ter a chance de se explicar.

Mas vale ressaltar que, no entanto, nem só de erros de interpretação se fazem os cancelamentos, mas verdadeiramente de momentos isolados que mostram que às vezes as coisas fogem do controle, afinal foram as denúncias do Movimento “#MeToo” (hashtag utilizada nas redes sociais para expôr relatos de assédio sexual) que levaram à responsabilização e prisão de diversos abusadores antes “protegidos” por suas posições sociais. Em suma, cabe uma intervenção que possa “sintetizar” de forma universal sobre o que exatamente é (ou deveria ser) a cultura do cancelamento.

Cabe ao Ministério das comunicações, promover anúncios publicitários, por meio das redes sociais, a fim de conscientizar a “população virtual” de que a cultura do cancelamento é uma forma de expor e coletar relatos de casos de violência (seje ela sexual, física ou moral) como uma forma de apoio às vítimas, e não como uma forma de apontar erros (que às vezes são mal interpretados) alheios e linchar pessoas que nem sabem o motivo de serem linchadas.