Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 29/08/2020
A sociedade atual está cercada por juízes e justiceiros invisíveis. Com a internet, marca da Terceira Revolução Industrial, novos tipos de relações entre os indivíduos surgiram, entre elas as redes sociais, capazes de produzir e distribuir milhares de informações em poucos segundos. Apesar disso, as mídias, caso não usadas de forma adequada e com controle, podem oferecer riscos à integridade mental e física de seus usuários, que sofrem com a constante exposição no meio e estão sujeitos a ameaças e palavras de ódio.
Diversas ações compartilhadas em redes da sociais tais como “Twitter” e “Facebook” propagam um questionamento e o despertar da consciência crítica de muitos jovens. Um exemplo disso é o movimento “Black Lives Matter” (Vidas Negras Importam) que movimentou o mundo ao compartilhar fotos e vídeos sobre a criminalidade policial contra negros nos Estados Unidos, mobilizando as redes. Se usada de forma adequada e com as intenções certas, a internet abre portas para uma nova realidade, que ao expor situações hediondas alerta os indivíduos e os faz desenvolver uma visão questionadora sobre os seres e suas ações.
Segundo o filósofo iluminista, Voltaire “Os homens erram, mas os grandes homens confessam que erraram”. Palavras e ações, muitas vezes, não definem os seres, dessa forma, julgá-los por situações em que, simplesmente, houve um erro, é impedir a evolução de ideias e de ideologias dos indivíduos. Certamente, permitir uma falha não significa considerá-la correta, mas sim, possibilita uma construção de caráter com críticas construtivas que auxiliarão em uma possível mudança de entendimento sobre algo. A “cultura do cancelamento” tem como objetivo impedir a disseminação do ódio, mas possui um efeito oposto, já que não há o discernimento de que ofender alguém, não contribui para o seu crescimento individual. A justiça desejada por esse movimento, é controlada por pessoas que, somente visam, impactar de forma negativa e destrutiva na vida de homens e mulheres.
Concluí-se que há a necessidade de mudanças. O Ministério de Estado da Justiça em conjunto com o da Cidadania, devem trabalhar no desenvolvimento de medidas que tenham um controle maior sobre aquilo que é dito e propagado nas redes sociais, implementando medidas que gerem consequências maiores para aqueles que acreditam possuir o poder e direito de julgarem alguém. Além disso, deve-se criar projetos sociais e educacionais que conscientizem os cidadãos sobre os resultados de agressões verbais e que os alertem para o uso inadequado da internet. O desejo de justiça não se sobrepõe ao direito de evolução dos indivíduos.