Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 28/08/2020
O 5° Artigo da Constituição Federal afirma: “Ninguém será considerado culpado até o trânsito julgado de sentença penal contraditória”. Em síntese, o cancelamento não condiz com a lei. Inicialmente, a cultura do cancelamento possuía uma ideia de desconstrução social, debatendo e alertando os indivíduos para assuntos importantes e ampliando a voz daqueles que não capazes de se defender. Contudo, os usuários da internet conectados à internet passaram a exagerar nas cobranças, focando nos mínimos detalhes e distribuindo discursos de ódio por qualquer termo dito equivocadamente por outro indivíduo. Assim, fatores que devem ser discutidos acerca do debate sobre a cultura do cancelamento na contemporaneidade são as críticas não construtivas e a perseguição na vida fora da internet.
Em primeiro plano, é de conhecimento geral que a Constituição propõe a liberdade de expressão, entretanto, os indivíduos, ao utilizar as redes sociais, usufruem de tal liberdade de forma errônea e inapropriada, pondo em prática o método do cancelamento como forma de justificar todo o discurso de ódio e linchamento diante de uma só pessoa, tendo como maiores alvos as figuras públicas, como é o caso da influenciadora Gabriela Pugliesi, que por ter furado a quarentena diante da pandemia do Coronavírus, recebeu mensagens de cunho maldoso e perdeu diversos seguidores e patrocínios. É evidente que essa cultura não propõe criticas construtivas e comentários caráter reflexivo a fim do indivíduo reconhecer e aprender com o erro, e sim de se beneficiar da situação para descontar raiva e propor opressão. Outrossim, outro ponto essencial para o enriquecimento do debate sobre o cancelamento, é a questão da perseguição contida na vida da pessoa, pelo fato de que, pelos os usuários não permitirem uma oportunidade de evolução, mesmo que o indivíduo tente demonstrar as mudanças de atitudes e o reconhecimento do erro, nunca será a mesma coisa e sempre terá que se policiar em relações às suas atitudes. Algo que certamente causa um impacto na vida real da pessoa, fora da internet, onde por sempre ser associado ao mesmo acontecimento, pode perder oportunidades de emprego, caso dependa das redes sociais como forma de trabalho, perde seguidores e patrocínios, o que influencia bastante.
Diante do que foi abordado sobre o tema, percebe-se que as proporções provocadas pela cultura do cancelamento trazem diversas consequências e impactos que necessitam de análise. Dessa forma, com o objetivo de amenizar os discursos de ódio e os ataques virtuais, o Governo Federal, através do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, deve realizar palestras educacionais com o objetivo de sinalizar a população da seriedade acerca do assunto. Além disso, visando resolver a perseguição que é atribuída ao indivíduo ao longo de sua vida, o agente supracitado, por meio do Ministério da população, deve instituir discussões de temas aproximados a tal problemática na programação escolar, visando a importância da empatia ser praticada desde o início.