Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/08/2020

Para a Sociologia, cultura é tudo aquilo que pode ser aprendido e reproduzido, por meio do contato humano. Esse conceito inclui, então, um complexo de conhecimentos, costumes, crenças e hábitos compartilhados por grupos sociais. Assim, na esfera virtual, um novo comportamento, conhecido como cultura do cancelamento, popularizou-se como uma maneira idealizada de buscar justiça social. Contudo, esse fenômeno, muitas vezes, transforma pautas importantes em discussões superficiais e exalta o lado punitivista da sociedade.

A cultura do cancelamento surgiu como um modo de romper com estruturas arcaicas de poder, usando a mobilização de diversas minorias para exigir que pessoas públicas repensem e se retratem por falas preconceituosas e errôneas. No entanto, o imediatismo, característico desse movimento, transforma temas sérios em debates superficiais, o que descredibiliza movimentos de importante caráter social.

Ademais, ataques massificados, ainda que revestidos de boas intenções, ultrapassam as barreiras da livre expressão de pensamento e possibilitam um linchamento virtual, criando um ambiente propício para a propagação de discursos de ódio. Logo, o objetivo final da contestação de um comentário ignorante deve ser a evolução e a desconstrução da pessoa que o fez, ao invés de cancelá-la e reproduzir uma lógica punitivista.

Portanto, é necessário que empresas que administram redes sociais criem mecanismos de controle, como algoritmos e equipes especializadas, para o controle de ataques desse tipo, com o objetivo de desincentivá-los. Além disso, é importante que o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias municipais e estaduais de educação, estabeleça aulas de cultura digital que abordem essa problemática, voltadas para alunos do Ensino Médio, visando desconstruir e desencorajar práticas nocivas dessa natureza.