Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/08/2020

Com o avanço do poder de mudança das redes sociais, surgiu, nos últimos anos, um movimento hoje conhecido como “cultura do cancelamento”, como uma forma de chamar a atenção para causas como justiça social, e uma maneira de amplificar a voz de grupos oprimidos, forçando ações políticas de marcas ou figuras públicas. O “cancelamento” é um ataque à reputação que ameaça o emprego e os meios de subsistência atuais e futuros do cancelado, o que acaba gerando um debate sobre tal cultura na sociedade contemporânea. Infelizmente a cultura do cancelamento atualmente possui mais aspectos negativos do que positivos, pois além de não ser efetivo, o imediatismo do movimento provoca intolerância e polarização, tornando o ambiente virtual hostil e, muitas vezes, injusto.

O cancelamento não deveria ser o objetivo final: o mesmo não é efetivo ao longo prazo, e acaba se tornando um linchamento que nem sempre gera críticas realmente construtivas, como por exemplo o caso da digital influencer Bianca Andrade (Boca Rosa), que foi cancelada por ter se posicionado a favor de alguns homens no Big Brother Brasil após comentários machistas. De fato, Bianca perdeu seguidores ao longo do movimento: caiu de 9.6 milhões para 9,1 milhões. Ela, no entanto, rapidamente recuperou e superou esse número. Hoje, em março de 2020, ela conta com 10,3 milhões de seguidores. Assim, a tática mais importante para alcançar a justiça não é o cancelamento, e sim criticar efetivamente pessoas que cometem um ato transgressor.

Além disso, o movimento cria um ambiente online extremamente hostil, e acaba se tornando um linchamento que nem sempre gera críticas realmente construtivas. De acordo com a psicóloga Adriana Müller, um cancelamento não gera solução por si só, não resolve muita coisa. “Quando você simplesmente cancela alguém, você fecha a porta e não tem mais conversa. Você está se fechando para qualquer tipo de diálogo, e vejo isso como algo ruim. A outra pessoa não consegue nem reverter a situação. Quem está cancelando parte do princípio de que o outro fez propositadamente, mas o outro pode ter feito sem ter parado para refletir”.

Portanto, para que a cultura do cancelamento realmente gere frutos positivos, deve-se, por parte do governo federal, em parceria com o ministério da cultura por exemplo, implantar campanhas e palestras, visando explicar que o cancelamento não deveria ser o objetivo final, mas sim a mudança nas estruturas que geram esse tipo de comportamento; Além disso, O Governo, através de redes sociais, em parceria com Instituições Privadas e ONGs, deve investir em projetos virtuais e campanhas on-line combatendo a ação da cultura do cancelamento em situações onde existe a possibilidade de reverter a situação, propondo outras alternativas efetivas para que a justiça seja obtida.