Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/08/2020

A chamada cultura do cancelamento provavelmente iniciou-se durante o movimento “#MeToo”, quando a atriz Alyssa Milano pediu em suas redes sociais para que todas as pessoas que já sofreram assédio sexual usassem a hashtag; essa mobilização teve início em Hollywood e partiu de lá para o mundo. Nesse aspecto, alguns pontos positivos vieram desde a aparição dessa corrente, a exemplo da amplificação da voz de grupos oprimidos; entretanto, existem adversidades que acabam interferindo nesse processo, como a possibilidade de “cancelar” indivíduos que não tiveram a intenção de cometer tal erro, sem ter chance de defender a si mesmos.

O início da cultura do cancelamento nas redes se tornou algo benéfico para os grupos da sociedade que foram oprimidos durante muito tempo pois estes conseguiram ter um local de fala em consequência da facilidade de comunicação dos meios sociais. Nesse sentido, a abertura de debates sobre diversos temas contribuíram para que essa parcela da população conseguisse finalmente relatar problemas que acontecem no seu cotidiano e debater sobre esses assuntos tendo mais visibilidade.

Conquanto, a partir do momento que o espaço de debate se torna um ambiente tóxico, isto é, brigas em vez de conversas, o movimento perde todo o sentido quando as pessoas que praticam o cancelamento começam a procurar por uma perfeição inexistente, boicotando o alvo e praticando um linchamento virtual. Nesse contexto, o objetivo inicial de debater sobre o erro cometido a fim de evitar  que possíveis situações semelhantes se repitam é esquecido.

Com base nessa conjuntura, é mister a implementação de medidas que tenham como objetivo a melhora da educação como um todo, à exemplo de palestras em escolas projetadas pelo MEC a fim de ensinar aos jovens desde cedo sobre diversos temas e dar dicas de como entrar em um debate sem desrespeitar nenhum dos envolvidos para que assim essas mesmas crianças cresçam e se tornem adultos responsáveis e justos.