Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/08/2020

O cancelamento surgiu em 2017 com o movimento “#MeToo”, que tinha como objetivo expor abusadores e assediadores em Hollywood. Contudo, com o passar do tempo, essa cultura foi incorporada por grande parte dos internautas, que cancelam qualquer pessoa pelos mínimos motivos possíveis. Embora a Cultura do cancelamento apresente pontos positivos como a não aceitação de discursos preconceituosos e problemáticos, também apresenta aspectos negativos, como a anulação instantânea de alguém, sem deixar que  a pessoa “cancelada” se explique ou tenha uma segunda chance para se corrigir.

Em certas ocasiões, o cancelamento se mostra como um artifício coercitivo, possibilitando que culpados sejam punidos. Como por exemplo, neste ano em meio a atual pandemia do coronavírus, em que autoridades de saúde do mundo inteiro recomendam que a população fique em casa, a influenciadora digital Gabriela Pugliese foi cancelada, perdendo contratos no valor de dois milhões de reais, após realizar uma festa em sua casa, postando registros nas redes sociais com frases que menosprezavam a atual crise de saúde. Nesse sentido, percebe-se como o cancelamento, em determinadas situações, faz-se necessário, visto que influenciadores desse porte necessitam filtrar suas postagens e refletir sobre seu alcance e a influência que possuem sobre a comunidade.

Contrariamente ao cenário anterior, observa-se situações onde a Cultura do cancelamento de fato age de forma injusta. Toma-se como exemplo a cantora norte-americana Taylor Swift, que foi cancelada após negar ter autorizado o uso de seu nome em uma música onde um rapper a insultava, e também após se manifestar exigindo um melhor pagamento aos artistas pelas plataformas de streaming. Logo, percebe-se como  muitas vezes o tribunal da internet age de forma equivocada, cancelando qualquer pessoa que não se comporte da forma esperada.

Nessa conjuntura, é de extrema importância que o Ministério das Público (MPF), em parceria com redes sociais como o Twitter e o Facebook, promova campanhas de conscientização nas redes buscando ressignificar a cultura do cancelamento ,ensinando como usar esse artifício de forma benéfica e eficaz. Além disso, faz-se necessário que o MPF, em conjunto com as secretarias de educação de cada estado, promovam nas escolas palestras que busquem informar os jovens, que se configuram como os principais usuários da internet, a como filtrar quem de fato merece ser cancelado.