Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 28/08/2020
A chamada “cultura do cancelamento” foi criada para trazer maior visibilidade à diversas causas na internet, o que contribuiu para a exposição de diversos acontecimentos criminosos, como os assédios cometidos pelo cineasta Harvey Weinstein, os quais foram denunciados pelas vítimas em redes sociais. No entanto, essa prática perdeu sua essência inicial e passou a ser usada como instrumento de agressão nos meios midiáticos, o que torna o debate sobre a cultura do cancelamento muito necessário, devido às críticas agressivas feitas sem objetivo e as consequências vividas pelas vítimas.
Em primeiro lugar, é preciso saber que muitas pessoas compartilham do pensamento de que, com a liberdade de expressão, as pessoas públicas da internet podem ser alvos de ataques invasivos e até “canceladas” sem um objetivo específico. Dessa forma, ao contrário das acusações de assédio contra o cineasta, as críticas são feitas somente para ferir a pessoa, e não para reivindicar por alguma causa. No entanto, segundo o filósofo Herbet Spencer, a liberdade de expressão termina quando afeta o outro, nessa perspectiva, as críticas agressivas e invasivas não são justificadas, já que atingem outras pessoas de forma significativa.
Além disso, com a popularização da cultura do cancelamento, existe uma grande problematização de pequenos acontecimentos, o que aumenta a exposição das pessoas à diversos problemas, como problemas com autoestima e ansiedade. Isto é, já que os críticos são maldosos e intolerantes, muitas vezes voltam suas críticas para de fato diminuir a vítima, o que afeta sua autoestima. Outrossim, quando alguém é “cancelado”, o número de críticas é muito alto, o que compromete a sua estabilidade emocional, devido à alta pressão imposta sobre o indivíduo.
Portanto, pode - se concluir que é importante que exista um debate sobre a cultura do cancelamento, devido às críticas invasivas e as consequências vividas pelas vítimas que acontecem por conta dela. Dessa forma, é preciso que o Governo promova a conscientização dos jovens sobre a seriedade do assunto, visto que eles compõe a maioria dos usuários das redes. Essa conscientização deve acontecer por meio de palestras nas escolas, as quais devem contar com a participação de psicólogos e psiquiatras, os quais podem explicar sobre as consequências do cancelamento. Somente assim a realidade atual será modificada.