Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 04/09/2020

Garantida pela Constituição brasileira de 1988, a liberdade de expressão caracteriza-se como direito básico do ser humano. Assim, todo e qualquer indivíduo pode expor suas opiniões perante a sociedade. Entretanto, ao enunciar um discurso, o emissor está sujeito à posicionamentos contrários, oriundos do público ouvinte. Essa manifestação externa pode acontecer de forma severa, o chamado cancelamento, um conflito do mundo contemporâneo cujas causas e consequências precisam ser debatidas.

Eleita como termo do ano de 2019 pelo Dicionário Macquiare, a “cultura do cancelamento” é intensificada pelas redes sociais e não se restringi às celebridades. Seja por atitudes ou falas consideradas inadequadas, todas as pessoas podem ser vítimas desse fenômeno. As causas dessa problemática concentram-se, principalmente, no modelo imediatista da sociedade atual. Dessa maneira, tendo em vista a falta de diálogo e a necessidade de exigir a perfeição, os usuários da internet acabam integrando esse movimento sem se preocuparem com os efeitos de suas ações.

Nesse sentido, as consequências para aquele que sofreu o cancelamento, podem ser múltiplas e durar enquanto o Google existir. Mesmo quando desproporcionais e incompatíveis com a fala classificada como ofensiva, os comentários odiosos, ameaças e o ato de boicotar figuras públicas, estão presentes. Este, juntamente a ataques à reputação, ferem os meios de subsistência do cancelado. Além disso, muitas vezes desencadeiam forte ansiedade e problemas psicológicos. Em casos mais graves, como o do gamer influenciador Byron Bernstein, que sofreu um linchamento virtual no início do ano, o suicídio pode acontecer.

Em suma, a cultura do cancelamento é uma prática perigosa com possíveis consequências irreversíveis. Dessa forma, medidas são fundamentais para resolver o impasse. Assim, cabe à esfera midiática do país promover a criação de propagandas televisivas com o intuito de conscientizar os espectadores sobre a importância de não promover o ódio virtual. Ademais, com o objetivo de diminuir  as críticas agressivas, faz-se necessário uma autoavaliação pelos usuários das redes sociais. Espera-se, com essa ação, a redução do número de manifestações invasivas e de caráter ofensivo presentes no âmbito digital.