Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/08/2020
De acordo com o teórico da comunicação Marshall McLuhan, “os homens criam as ferramentas e as ferramentas recriam os homens”. Assim, é possível afirmar que a cultura do cancelamento, criada há alguns anos na internet, educa a sociedade, e auxilia em uma recriação da personalidade humana. Entretanto, muitas vezes, de maneira destrutiva. Nesse sentido, pode-se preconizar que tal problemática é complexa, e está atrelada à má influência midiática, bem como à diferença de peso da cultura do cancelamento segundo raça e classe social, por exemplo.
Primeiramente, é preciso salientar que a má influência midiática é uma causa latente do problema. “O que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão”. Nesse sentido, essa citação de Pierre Bourdieu corresponde ao incentivo da mídia para uma cultura do cancelamento agressiva, a fim de chamar mais público para aquela situação ser transformada em um verdadeiro espetáculo de prazer e emoção a quem assiste. Dessa forma, o objetivo inicial de desconstruir uma ideia errada ou preconceituosa, para tentar reverter a situação de maneira positiva, é trocado por um simples prazer temporário.
Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a diferença de peso da cultura do cancelamento por raça e por classe social. Segundo a Constituição Federal de 1988, todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza. Todavia, o músico negro Wilson Simonal, “cancelado” pelos intelectuais de sua época, por ser informante do regime militar há muito tempo, ocupa um peso muito maior do que o caso do jornalista branco William Waack, o qual também foi “cancelado” devido a um vídeo com comentários racistas, e que logo depois de demitido na Globo conseguiu emprego novamente em outra emissora.
Diante disso, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, influenciadores digitais devem proporcionar debates online a respeito da cultura do cancelamento, concedendo exemplos negativos em que essa cultura foi destrutiva e preconceituosa, como no exemplo do Wilson Simonal, a fim de promover maior discussão sobre até que ponto a atitude é positiva e justa. Em seguida, as empresas que compõem a administração geral de redes sociais como: twitter, instagram e facebook, deveriam realizar uma fiscalização nesses meios de interação pública para eliminar comentários ofensivos os quais degeneram a positividade da cultura do cancelamento, com finalidade de impedir que comentários com embasamentos falsos sejam espalhados e difundidos nas redes sociais. Em suma, a reconstrução do caráter humano proposto por Marshall, será providenciado de forma benéfica pela cultura do cancelamento, voltando-se ao objetivo inicial de desfazer preconceitos.