Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/08/2020
A mais recente edição do famoso reality show “Big Brother Brasil” gerou uma onda de comentários nas principais redes sociais, entre eles, o fenômeno da “cultura do cancelamento”teve espaço principal, observado em uma conduta de julgamento coletivo em escala nacional, no qual a maioria dos participantes tinham seus atos e falas como alvo de linchamento nas redes sociais. Nessa perspectiva, convém analisar os fatores e os impactos que norteiam a questão da cultura do cancelamento no Brasil.
De fato, a cultura do cancelamento é um reflexo da falta de empatia e do falso moralismo da sociedade, intensificados com o advento das redes sociais. É notável que o cancelamento praticado por determinados sujeitos, que representam morais de um grupo que detém poder em certo contexto social, é uma justificativa para impor normas, aparentemente corretas, na sociedade, mas que contradizem seu discurso no momento em que apenas julgam atos e falas tidos como incorretos e não procuram dialogar, ou seja, não conduzem a uma mudança, apenas instigam certo controle disciplinar. É necessário, portanto, desmantelar as relações de poder estabelecidas no meio social e validar as críticas abertas ao debate positivo e ao diálogo.
Como consequência, a cultura do cancelamento dificulta o diálogo e impossibilita uma mudança de opinião e atitude. A cultura do cancelamento, certamente, não abre espaço para uma troca de opiniões, pois, ao julgar as ações do próximo não há consideração pela sua defesa, a penas uma busca desenfreada por “fazer justiça”, que gera indivíduos intolerantes, com incapacidade de dialogar, e com uma represália desmedida, que cancela não só a fala do julgado, como também seu trabalho e sua vida em geral. Desse modo, é necessário que haja uma maior compreensão pela sociedade dos impactos negativos dessa cultura.
A questão da cultura do cancelamento no Brasil é um fenômeno negativo e, por conseguinte, necessita ser combatido e atenuado no Brasil. Para isso, cabe à mídia, com seu potencial influenciador, criar campanhas de abordem as consequências da cultura do cancelamento, a fim de que os “canceladores” e a sociedade em geral compreendam que ela é desnecessária, e que a mudança deve partir do diálogo. Ademais, essa campanha deve ser estendida as escolas, com o auxílio do Ministério da Educação que deve, por meio de palestras e rodas de conversa, com psicólogos e pedagogos, discutir os pontos negativos da cultura do cancelamento e debater com os alunos as formas de alcançar uma sociedade mais tolerante,com o objetivo de que os jovens, principais utilizadores das redes sociais, consigam ter mais respeito pelas opiniões divergentes e saibam apontar os erros de forma a alcançar mudanças positivas.