Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 01/09/2020

A idade média, período de constantes problemáticas políticas e socioeconômicas, era comum o julgamento de infratores - de acordo com a tendência cultural e religiosa  - em praça pública aberta ao público, o qual essa tendência, buscava estabelecer normas e hierarquias. Nesse sentido, a cultura do cancelamento na contemporaneidade advém desse fator  histórico, visto que a padronização de normas estabelecidas em redes sociais produz sensações de controle como ocorrido na época. Dessa maneira, tanto a falaciosa garantia de poder quanto as negatividades trazidas pelo linchamento virtual à democracia influenciam à repetição de ocorrências históricas.

Em primeiro plano,  a contraproducente manipulação de uma vida social fictícia nas redes sociais  cria o requerimento de total liberdade, o que leva ao cometimento de atitudes generalizadas contrárias a ética. De acordo com o livro “Vigiar e Punir”, de Michel Foucault, a prática de humilhações e violências eram vistas, anterior ao século 18, como um hábito de entretenimento ao público, que reproduzia o falso ganho de poder - por conta que estabelecia o contratempo da violência sem que isso os afetasse diretamente - contribuindo, assim, a generalização de atos baseados na hostilidade e não garantindo a liberdade de defesa do infrator. Nessa continuidade, é fato que os argumentos do filósofo descreve o ganho ilusório de poder, dado que ocorre vulgarização de críticas sem a real comprovação dos fatos levando a perda de indentidade e retrocesso a vida social. Desse modo, essa ocorrência promove - sem viés jurídico - estabelecimento da percepção de autoridade.

Ademais, as adversidades dos ataques virtuais é preponderante no que condiz à manipulação e ao prejuízo comunicativo. Segundo Jürgen Habermas, o direito a retórica é essencial ao aprimoramento democrático, haja vista que a comunicação auxilia no crescimento social. Sob esse viés, o pensamento de Habermas demonstra, de maneira análoga, como a universalização de discurso agressivos nas redes podem contribuir por mitigar a democracia brasileira, posto que impedem que ocorram o embate de argumentos - pois não partem do diálogo, e sim, da afronta. Portanto, a existência do cancelamento  prejudica a autonomia de opiniões.

Sob essa perspectiva, primeiramente, faz-se preciso que mídias em conjunto com os governos estaduais, por meio de propagandas, criem programas que sejam disponibilizados em redes sociais e no setor televisivo sobre a importância da verificação de informações em sites confiáveis - demonstrando, também, os antagonismos de violações em redes e o papel do cidadão na internet. Nessa lógica, procurando distanciar a sociedade dos entraves que percorreram a idade média.