Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 27/08/2020

Em meados de 2017 surgiu nas redes sociais o movimento #MeToo, que tinha como objetivo expor nomes de agressores sexuais e compartilhar histórias das vítimas. Esse evento deu início à “cultura do cancelamento” que atualmente é caracterizada por boicotar personalidades com falas e atitudes problemáticas. Essa nova cultura pode ser interpretada como uma maneira das minorias reivindicarem um melhor tratamento, entretanto ela também promove um pensamento punitivista e polarizado.

Convém ressaltar a importância da internet para dar visibilidade à parcela da população que foram neglicenciadas, uma vez que ela tem um meio de comunicar suas vivências. Assim é mais fácil que casos de preconceito ganhem mais repercussão. Portanto o ato de cancelar alguém por declarações problemáticas seria uma maneira de dar voz e melhorar as condições de grupos minoritários.

De outra parte, cabe ressaltar que o cancelado se explique ou tenha tempo de refletir sobre suas atitudes. O ataque massivo a uma pessoa ou empresa não ajuda de maneira eficiente a mudar uma estrutura social, a banalização de temas sérios através do cancelamento só gera ambientes virtuais hostis. Logo, essa nova mentalidade se preocupa mais com a instantaneidade da punição que com a educação.

Chega-se, então, à conclusão que o cancelamento é mais nocivo que benéfico, tendo em vista que prioriza críticas não construtivas em detrimento do debate. É importante que as plataformas digitais criem mecanismos que dificultem ataques em massa. E o MEC em parceria com secretarias da educação deve investir na discussão de temas sociais em sala de aula para educar os alunos e evitar comportamentos problemáticos e preconceituosos.