Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 28/08/2020

O movimento chamado de cultura do cancelamento surgiu das redes sociais e foi eleita o termo do ano de 2019. O movimento se baseia em fazer um exposed sobre alguém, ou uma situação ou uma instituição fazendo um grupo de indivíduos a se “posicionar” sobre o acontecimento. Na teoria o exposed é onde você expõem alguém em função de erro ou consulta irresponsável. A partir desses conceitos surge o “punho da justiça” que podem decidir se à pessoa tem a vida destruída sendo cancelada ou não, tal punho vem acompanhado da enorme linchamento social do grupo que cancela gerando sub problemas como a intolerância.

O exposed inicialmente foi usado para um motivo muito bom e cumpriu seu papel em expor casos de abusos sexuais em Hollywood, porém quando o povo experimentou esse “poder” a população começou a usá-lo de forma totalmente errada. Esse mau uso pode ser visto em um caso muito famoso, o jogador de futebol Neymar da Silva Santos Júnior foi acusado por Najila Trindade de cometer agressão e estupro. Devido ao ocorrido o Neymar perdeu muitos contratos e antes mesmo de ser julgado legalmente foi declarado pelo “punho da justiça” como culpado, entretanto, conseguiu vencer o processo e foi declarado legalmente como inocente. A pergunta que fica é quem é o responsável por tirar essa imagem de suposto estuprador? E se ele não fosse famoso o que poderia acontecer com ele? As respostas são simples ninguém vai ser culpado, e ele sofreria um forte linchamento mesmo sendo inocente.

Além do mero “cancelamento”, os ataques virtuais se massificam e, por muitas vezes, extrapolam os limites da livre manifestação de pensamento tornando-se um linchamento virtual que, mesmo fantasiado de bom senso, pode gerar um discurso de ódio. A situação é agravada pelo descarte do debate saudável que não viabiliza a defesa prévia ou eventual aprendizado da pessoa que foi cancelada uma vez que não possui viés de educar e reintegrar, mas apenas excluir.

No Artigo 11 da Declaração Universal dos Direitos Humanos diz “toda a pessoa acusada de um ato delituoso presume-se inocente, até que a sua culpabilidade fique legalmente provada no decurso de um processo público em que todas as garantias necessárias de defesa lhe sejam asseguradas”. O Congresso Nacional deve elaborar uma lei, onde pelo menos 10 mil psicólogos devem atuam pelo governo nas instituições de comunicação ativas no Brasil. Por sua vez os App de comunicação devem ser aconselhados a criar um mecanismo de “denúncia”, quando ativado tal mecanismo deve acionar um dos psicólogos para averiguar se quem fez a postagem precisado ajuda psicológica ou não, caso necessite o psicólogo deve fornecer ajuda.