Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/08/2020
Um dito popular brasileiro proclama que o direito de um cidadão termina quando começa o de outro. Nesse sentido, é possível afirmar que na complexidade das interseções das relações humanas ainda existem debates, como a cultura do cancelamento, que necessitam de revisão para não transgredirem direitos e deveres sociais no que tange aos gêneros, etnias e exposições de opiniões. Assim, é impreterível a discussão sobre o excessivo discurso de ódio e a imprudência no uso de palavras ou atitudes na rede digital diante a sociedade.
Em primeiro plano, apesar da origem da prática do cancelamento ser o movimento #EuTambém, que possibilitou as mulheres a denunciarem crimes de assédios, na sociedade hodierna, a atividade tornou-se ponto e formação de nichos sociais baseados na hostilização de um indivíduo, como o caso do influenciador Byron Bernstein, que cometeu suicídio após ser cancelado. Nesse ângulo, é pertinente pontuar que cabe ao Poder Judiciário julgar os conflitos sociais e não a sociedade buscar a justiça por seus próprios métodos, pois esses podem causar fatalidades. Logo, medidas precisam ser tomadas para a aplicação rápida das leis e a diminuição do discurso de ódio no corpo social.
Em segundo lugar, a internet possibilitou o diálogo entre os extremos do globo terrestre em segundos. Ademais, é indispensável a conscientização individual de cada pessoa na exposição de opiniões na rede digital, porque assim como a Constituição de 1988 garante a liberdade de expressão como princípio da democracia, o respeito ao próximo é também um pilar da cidadania, sendo todos iguais perante a lei. Dessarte, providências devem ser aplicadas para a cultura do cancelamento não se tornar como uma forma de “espetáculo” sádico de justiça como foi a guilhotina para a população da França, no século XVIII.
Dessa forma, para resolução de tal problemática, o Ministério Público, por meio da formação de agentes digitais, deve investigar, conciliar e, se necessário, punir àqueles que infrinjam a cidadania de outrem. Isso diminuirá focos de repúdio digital e poderá diminuir casos como o do gamer Byron. Além disso, o Ministério da Educação, por meio de palestras socioeducativas ministradas nos meios de comunicações com a presença de psicólogos, deve demonstrar que pessoas não são objetos para serem excluídos da sociedade; todos são fundamentais para o pleno funcionamento de uma nação e o exercício da solidariedade deve ser exercido. Essa atitude diminuirá a disseminação do discurso de ódio pela população e garantirá o pleno estabelecimento da democracia, onde todos são ouvidos e julgados de acordo com a interpretação dos fatos pela justiça.