Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/08/2020

Na mais recente edição do reality show Big Brother Brasil o ex-participante Felipe Prior acabou sendo ‘‘cancelado’’  nas redes sociais devido a acusações de estupro que, de acordo com a Delegacia de defesa da mulher, se provaram falsas, entretanto, mesmo após ser provada sua inocência, Felipe perdeu diversos seguidores e possíveis patrocínios, além de ter sua imagem vinculada a um crime que nunca cometeu. Hodiernamente, devido à ascensão das mídias sociais e as comodidades do anonimato, o linchamento virtual traz consigo consequências, muitas vezes, irreversíveis à quem é ‘‘cancelado’’ -desde à destruição da reputação do indivíduo, até casos mais graves como perseguição fora da internet-, vêm, infelizmente, se tornando algo cada vez mais comum. Logo, faz-se conveniente analisar a causalidade deste impasse.

Em primeiro plano, é inegável que o conforto trazido pelo anonimato oferecido pelas redes sociais, e a sensação de impunidade que estas trazem consigo, estejam entre as causas do problema. A possibilidade de criar um perfil anônimo, sem qualquer tipo de dado que remeta ao usuário, em qualquer mídia social, abre diversas portas para indivíduos e grupos se mobilizarem para linchar alguém virtualmente uma vez que, a segurança provida pelo anonimato faz com que o agressor sinta que não haverá qualquer punição para os seus atos o que, muitas vezes, de fato não há,  fazendo com que o mesmo se sinta livre para cometer qualquer tipo de violência no ambiente virtual, corroborando com a máxima do escritor Johann Goethe: ‘‘O covarde só ameaça quando se sente em segurança’’.

Consequentemente, denotam-se, cada vez mais, problemáticas relacionadas a cultura do cancelamento, já que as consequências que o linchamento virtual trazem para a reputação do indivíduo são, muitas vezes, irreversíveis. Uma prova disso é o caso do jogador profissional de ‘’e-sports’’, ‘‘4lan’’, que foi desligado de sua equipe e expulso do cenário profissional, além de ter sido assediado moralmente fora da internet, devido à acusações de assédio sexual que até hoje não se provaram verídicas. Assim sendo, fica claro que a cultura do cancelamento e suas consequências são altamente prejudiciais para a sociedade contemporânea como um todo.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para a solução do revés apresentado. Destarte, o Governo Federal deve, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados, tornar mais rígidas as punições para crimes virtuais, dentre estes, falsas acusações e linchamentos virtuais. Neste projeto deve constar o pagamento de uma indenização àquele que sofreu a agressão. Espera-se assim, com essa medida, que os desafios relacionados a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea sejam superados, e que não sejam mais observados tantos casos como o de Prior.