Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/08/2020

Na obra “Utopia”, de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que a cultura do cancelamento está cada vez mais presente na sociedade, principalmente nos meios digitais, causando alguns problemas, sendo necessário medidas para combatê-los. Esse cenário antagônico é fruto: da falta de diálogo entre canceladores e cancelados, além do radicalismo da intolerância a visões opostas.

Precipuamente, é fulcral pontuar que, nos cancelamentos, há pouca ou nenhuma chance de debate. Dessa maneira, a vítima tem sua reputação atacada pelos justiceiros virtuais, sem a possibilidade de defesa. Seguindo esse padrão, recentemente um cidadão mexicano e residente nos EUA, Emmanuel Cafferty, foi fotografado estalando os dedos fazendo um gesto comumente associado a “OK” - para alguns extremistas, esse símbolo também é associado a supremacia branca - e, assim, foi acusado de racismo nas redes sociais, sem o direito de defender-se, e demitido de seu emprego. Essa realidade tornou-se um absurdo, pois vai contra um dos princípios básicos da democracia: o debate. Assim, devido a falta de comunicação, as anulações podem agir de maneira injusta, afetando consideravelmente a vida de pessoas inocentes de várias maneiras, como perder o trabalho ou ter sua saúde física e mental prejudicadas.

Ademais, por consequência da falta de comunicação, surgem os radicalismos. Assim como Cafferty, o médico Drauzio Varella foi anulado após uma reportagem da Rede Globo, em um presídio, na qual ele demonstrou empatia com uma condenada transsexual. Esse fato gerou polêmica e o médico, que fazia seu trabalho, sofreu com linchamentos virtuais e, segundo ele, até ameaças de morte. Essa situação é inaceitável, todavia, demonstra o quanto a cultura do cancelamento pode ser nociva e, em casos mais severos, sendo o estopim para crimes, desde ameaças até os hediondos.

Portanto, infere-se que medidas exequíveis são necessárias para melhorar essa problemática dos cancelamentos. Desserte, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se, urgentemente, de que a União apresente apoio jurídico aos inocentes que sofrem com os cancelamentos, além de apagar “posts” nas redes sociais que acusam ou causam desconforto a essas pessoas. Essas medidas serão implementadas mediante parcerias com escritórios de advocacia e com as empresas de mídias sociais, visando a diminuir a ocorrência de injustiças e garantir o equilíbrio na comunidade. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo no qual esse problema causa, e a coletividade chegará mais perto da “Utopia” de More.