Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/08/2020

Um fenômeno que se tornou comum nas redes sociais é o “cancelamento”, que consiste em compartilhar um ato de alguém, condenando-o. Essa nova cultura virtual é, principalmente, benéfica, porque traz visibilidade às injustiças que seriam ignoradas antigamente, mas desde que seja de uso consciente.

Atualmente, é mais fácil chamar a atenção das pessoas para um comportamento perturbador. Isso porque, antigamente, as notícias eram amplamente divulgadas somente pelas grandes mídias, que priorizam determinado tipo de informação. Nessa lógica, a “Banalidade do mal”, da pensadora Hanna Arendt, é um conceito relevante, que afirma que existem “males” na sociedade que não são problematizados, por não afetarem todos. Dessa forma, muitas males não são abordados na grande mídia, mas, hoje, podem ser facilmente divulgados pelas redes sociais. Assim, a cultura do cancelamento traz o benefício de divulgar coisas importantes, mas que seriam ignoradas pelas grandes mídias.

Porém, o cancelamento de alguém deve ser de forma consciente. De acordo com a Constituição Federal, todos são inocentes até que se prove o contrário. Contudo, em muitos cancelamentos as pessoas são consideradas culpadas, sem provas ou julgamento oficial. Pois,independentemente das acusações serem verdadeiras, ou não, são necessárias provas. Caso o contrário, o autor do “post” está cometendo o crime de calúnia ou difamação, pois sua honra foi ferida, mesmo ainda sendo inocente. Então, é prudente avaliar cada situação de forma consciente e sem insultar ninguém.

Portanto, a cultura do cancelamento precisa ser usada com cautela. Para isso, o autor de um cancelamento deve acusar alguém apenas com provas definitivas, para que não seja feita nenhuma injustiça, compartilhando apenas vídeos e “prints” que não deixem margem a outras interpretações, de preferência, com a consultoria de um advogado. Dessa forma, a cultura do cancelamento existirá de forma totalmente benéfica.