Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 26/08/2020

Conforme Manuel Bandeira já havia dito uma vez: “todo ato é um ato político”. Neste sentido, o tema em voga, cultura do cancelamento, surgiu como uma forma de justiçamento social virtual, a qual sujeita pessoas famosas a uma justiça baseada na subjetividade de grupos sociais e não na técnica e na imparcialidade de instituições democráticas. Diante desse impasse, o que deveria ser feito para corrigir esta situação?

A chefe de cozinha, Paola Carosella, foi vítima de um cancelamento após manifestar sua opinião nas redes sociais de que era a favor de uma alimentação saudável a fim de evitar e combater a obesidade. A repercussão provocou o descontentamento de pessoas que não consideram a obesidade como um problema, culminando no cancelamento da apresentadora. Uma vez que a ela não expressou discriminação, mas sim o apoio à saúde física, este caso é mais um exemplo do julgamento parcial e impróprio provocado pelo um tribunal virtual das redes sociais, o qual distorce a realidade e conclama a ação de internautas por meio do efeito manada a boicotarem e difamarem a reputação alheia.

Além Disso, a cultura do cancelamento se afirmou como um importante instrumento político que visa balizar as opiniões e suprimir o debate e a liberdade de expressão. Isso é evidenciado na perca de seguidores e de contratos com patrocinadores daqueles que são cancelados, como também os rotula. Esse processo já fora estudado pela alemã Elisabeth Noelle-Neumann e denominado Espiral do Silêncio, o qual se baseia na inibição de uma opinião quando ela destoa da opinião majoritária.

Portanto, visto que esse processo não se mostra como algo positivo e produtivo a sociedade, faz-se necessária a intervenção do Ministério Público junto ao terceiro setor para que se estimule debates em instituições públicas e nos principais veículos de comunicação por meio de um programa governamental a fim de impedir que a cultura do cancelamento continue sendo usada como um instrumento de discriminação e visto como legítimo em uma sociedade democrática.