Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 25/08/2020
A Constituição Brasileira define, como cláusula pétrea, a Isonomia - igualdade de julgamento - e a Isegoria - igualdade de fala - a qualquer cidadão ou residente legal nacional. Com o advento da tecnologia, que, segundo Steve Jobs, move o mundo, surge, dentre as diversas formas de manifestação, o ciberativismo - ativismo virtual. Consoante, diversos movimentos - como a Primavera Árabe e a conduta do cancelamento - ganham força. Contudo, segundo Pierre Lévy, toda nova tecnologia tende a gerar seus excluídos, assim evidenciado com o crescimento das notícias falsas (fake news) e uma vez que, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, um em cada quatro brasileiros não possui acesso à internet. Dessa forma, é notável que, apesar de popular, a cultura do cancelamento incita, também, o ódio, despromovendo a Isonomia e Isegoria.
Primeiramente, é evidente a força da cultura internauta na visibilidade, atuando como catalisadora na resolução de injustiças. Isso, visto que em meio a pandemia de Covid-19, gerada pelo agente infeccioso Sars-Cov-2 (Coronavírus), a internet é a principal ferramenta para estabilização nacional. Assim, o investimento em tecnologia, que, de acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Software, é de cerca de 61 bilhões de dólares por ano, aumenta, empoderamento ainda mais os internautas e estabelecendo mais poder mediante a cultura do cancelamento.
Paralelamente, é perceptível as fake news como atuantes constitutivos da desinformação, gerando uma massa populacional - com poder para desestabilizar a vida do indivíduo com ação julgada errada - desinformada, cometendo, entre outros, o crime da caluniação. Desse modo, fica evidente o despreparo brasileiro para a contenção da cultura do cancelamento, o que, por sua vez, demonstra a inefetividade das Leis - como a Lei Carolina Dieckmann, que visa proteção da vida pessoal dos usuários - empregadas no mundo virtual, tornando a internet um mundo sem Leis.
Portanto, é visível que, apesar dos altos investimentos governamentais para remediar os males virtuais e conter as fakes news, esses mesmos ainda geram discriminação e desinformação pública, contribuindo, de forma negativa, para o ciberativismo. Destarte, é essencial que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação - como órgão responsável pela gestão da verba direcionada para fins tecnológicos, em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações - como vertente responsável pelo gerenciamento de dados e aplicação legislativa no meio virtual, realize a educação e informação popular virtual, por meio de políticas públicas educacionais, subsídio à usuários que denunciam comportamentos criminosos e aplicações de multas, para que haja incentivo fiscal e informativo, a fim de que a tecnologia promova Isegoria e Isonomia, amenizando a exclusão - dita por Lévy.