Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/08/2020
Marco Antonio de Almeida, sociólogo e professor da USP, afirma que a cultura do cancelamento se deriva do politicamente correto, mas acabou culminando em uma política de intolerância aos erros, podendo afetar a vida social e profissional do indivíduo da vida pública. Analogamente, é perceptível que a fala de Almeida se reflete na sociedade contemporânea, haja visto que, o “cancelamento” na redes social é algo cada vez mais presente e que afeta constantemente a vida dos brasileiros. Dessa forma, vê-se a necessidade de um debate acerca do assunto e ações governamentais que possam amenizá-lo.
Primeiramente, vale-se ressaltar que a cultura do cancelamento pode afetar diretamente a saúde mental de todos os envolvidos a níveis irreversíveis. Assim, a fim de exemplificar a situação, pode-se citar Byron Bernstein, jogador de videogames profissional, que após pedir a namorada em casamento usando as redes sociais foi duramente criticado e atacado virtualmente, consequentemente teve seu caso de depressão agravado e cometeu suicídio. Com isso, torna-se visível a indispensabilidade de uma intervenção por parte do Estado, visto que, este tem o dever constitucional de prover saúde mental para a população e impedir que ações como as ocorridas com Bernstein sejam recorrentes.
Outrossim, alguns países, diferentemente do Brasil, possuem ações governamentais que buscam amenizar as consequências do linchamento virtual. Destarte, com o fito de se ilustrar, é preciso citar a Finlândia, país nórdico, que possui em suas escolas um programa de educação virtual que tem o objetivo de preparar os finlandeses para possíveis críticas virtuais e a como filtrar informações para evitar “fake news”. Dessa maneira, nota-se a importância de projetos governamentais como esse e como é necessário que isso passe a ocorrer no Brasil, país com inúmeros casos de cancelamentos virtuais.
Portanto, infere-se a necessidade de que se resolvam a problemática para que a população não sofra mais com a intolerância advinda da cultura do cancelamento. Para tanto, o Ministério da Educação - responsável por garantir a educação a toda a educação brasileira- deve, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e informações, implementar na grade curricular acadêmica, por meio de sanções, aulas e debates sobre a educação virtual, como já ocorre na Finlândia. Logo, tendo como finalidade o preparo mental e a sensibilização dos jovens, e futuramente adultos, para estarem preparados tanto para críticas virtuais quanto para evitar realizar o “cancelamento” indevido e a injustiça, como ocorreu com o jogador Bernstein.