Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 25/08/2020

Em 2019 o dicionário Macquarie elegeu o termo ‘cultura do cancelamento’ como o termo que mais caracterizou o comportamento humano naquele ano. Porém, expor casos de maneira sumária nas mídias sociais pode transformar a desconstrução de diversos preconceitos em um linchamento social. Como foi o caso da dona de casa Fabiane M. de Jesus, morta em um linchamento, motivado por acusações de magia negra, originadas de boatos nas redes sociais.

Em primeira análise, vale salientar que as redes sociais, apesar de privadas, são um espaço muito amplo para diversas discussões de temas pertinentes à contemporaneidade. Entretanto, deve ser ter cuidado com o que é postado na Rede, afinal, liberdade de expressão é diferente de preconceito e discurso de ódio. Como foi o caso do jornalista Willian Waack, demitido da Rede Globo de Televisão após o vazamento de um  vídeo, no qual ele desfere frases racistas.

Ademais, assim como devemos ter cuidado com o que é postado, há também que se ter cuidado com o ato de ‘cancelar’ uma pessoa. Afinal, como explica o filósofo e escritor Luiz Felipe Pondé, em seu canal no Youtube, a cultura do cancelamento quando não feita de maneira correta tornasse um linchamento virtual, que é reflexo do que é feito fora desse ambiente. Como mostra o levantamento do Núcleo de Estudos da Violência da USP, que identificou 1.179 linchamentos entre 1980 e 2006 no Brasil.

Dado o exposto, é mister que haja políticas públicas para mitigar essa problemática. Cabe ao ministério da Educação, em parceria com as redes sociais mais utilizadas - como Facebook, Instagram e Twitter - a criação de campanhas de conscientização sobre a importância de se denunciar de maneira correta preconceitos e ataques na web. Por meio de fóruns especializados em receber e analisar essas denúncias, ensinar à população a maneira de correta de apurar e julgar tais condutas. Somente assim, cancelamentos e boatos como o de Fabiane vão acabar de maneira pacífica e justa, fazendo a internet um ambiente mais democrático.