Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 25/08/2020
Aristóteles uma vez afirmou que a base da sociedade é a justiça, ora o julgamento é a aplicação da mesma. Com base nisso, é pertinente considerar os dois lados da moeda quando se fala em cultura do cancelamento. Ao mesmo tempo que lições morais são dadas à infratores perante ao público, tem-se o risco de falso reconhecimento levado a linchamento da sociedade à inocentes confundidos por alguma razão.
Um exemplo de como essa cultura pode ser trágica e nociva foi um acontecimento no México que trouxe comoção e reflexão ao mundo inteiro. O que ocorreu foi que uma “fake news” circulada no “WhatsApp” contribuiu para que o povo da cidade linchasse e queimasse dois homens inocentes sem antes checarem a veracidade da situação.
Outrora, todo esse movimento virtual, usado da maneira correta e consciente, pode contribuir para a repreensão e conscientização diante de atos imorais e ilegais praticados na internet. Pode-se dizer que o público em geral se transformou em uma espécie de júri popular, fazendo julgamentos a partir de um ato de determinado “influencer” não expresso da forma como queria ou até mesmo uma opinião pessoal que fere aos direitos humanos. Tudo isso é avaliado, criticado e julgado conforme a decisão do júri.
Portanto, é impossível ter apenas uma visão sobre a cultura do cancelamento. Se trata de um tema vasto para ser discutido e definido como certo ou errado. Uma forma de diminuir os extremos, é fazendo com que o público da internet seja justo e consciente a ponto de cobrar explicação e justiça de posturas inadequadas, mas também ser paciente e entender que pessoas erram e podem mudar. Tudo isso o mais rápido possível, para que a morte de inocentes vítimas de linchamento, assim como posturas inadequadas em redes sociais, não ocorram mais.