Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 25/08/2020
Um fenômeno que se tornou comum nas redes sociais é o “cancelamento”, que consiste em compartilhar um ato de alguém, condenando-o. Essa nova cultura virtual é benéfica, porque traz visibilidade às injustiças que seriam ignoradas antigamente, mas desde que seja de uso consciente.
Hoje em dia, é mais fácil chamar a atenção das pessoas para um comportamento perturbador. Isso porque, antigamente, as notícias eram amplamente divulgadas somente pelas grandes mídias, que priorizam determinado tipo de informação. Nessa lógica, a “Banalidade do mal”, da pensadora Hanna Arendt, é um conceito relevante, que afirma que existem “males” na sociedade que não são problematizados, por não afetarem todos. Dessa forma, muitas males, como o feminicídio ou racismo, não são abordados na grande mídia, mas, hoje, podem ser facilmente divulgados pelas redes sociais. Assim, a cultura do cancelamento traz o benefício de divulgar coisas importantes, mas que seriam ignoradas pelas grandes mídias.
Porém, o cancelamento de alguém deve ser de forma consciente. De acordo com a Constituição Federal, todos são inocentes até que se prove o contrário. Contudo, em muitos cancelamentos as pessoas são consideradas culpadas, sem provas ou julgamento oficial. Nesses casos, o autor do “post” está cometendo o crime de calúnia ou difamação. Por isso, é prudente avaliar cada situação de forma consciente e sem insultar ninguém.
Portanto, a cultura do cancelamento precisa ser usada com cautela. Para isso, os “canceladores” devem acusar alguém apenas com provas definitivas, para que não seja feita nenhuma injustiça, compartilhando apenas vídeos e “prints” que não deixem margem a outras interpretações. Além disso, os “cancelados” que forem injustiçados podem procurar a Justiça para ter as publicações removidas e os autores responsabilizados.