Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 25/08/2020
Consoante o sociólogo alemão Dahrendorf no livro “A lei e a ordem”, a anomia é uma condição social onde as normas reguladoras do comportamento das pessoas perderam sua validade. De maneira análoga, na contemporaneidade, notam-se desafios relacionados ao comportamento das pessoas e o surgimento de movimentos, como, a cultura do cancelamento, já que a sociedade despreza os diversos valores sociais e as regras de comportamento. Portanto, é notório que o instável sistema educacional impede a construção ética dos indivíduos e, logo, impossibilita relações saudáveis na sociedade.
Em primeiro plano, é importante ressaltar que a globalização proporcionou um ambiente tecnológico, no qual ocorre trocas de conhecimento, informação e cultura. Entretanto, alguns indivíduos não respeitam à etnia de grupos com uma cultura diferente, dessa forma, essa situação favoreceu o surgimento de movimentos sociais, como, a cultura do cancelamento que “cancela” alguém de determinado grupo ou pessoa por expressar uma ação ofensiva, de modo que facilita no combate dessas ações e permite o debate sobre racismos, preconceitos e homofobia. Destarte, esses movimentos potencializam no combate aos crimes resultantes de discriminação.
Em segundo plano, a cultura do cancelamento objetiva combater ações ofensivas, porém, não dispõe de regras para considerar o que é ou não ofensivo, sendo que diversos grupos ou pessoa que determinam, todavia, não levam em consideração as distintas culturas ou lugares. Nesse sentido, essa manifestação compromete à liberdade de expressão, pois opiniões podem não ser interpretadas corretamente. Mas, a liberdade de expressão é garantida na Constituição Federal de 1988. Dessarte, é necessário aprimorar os conceitos da cultura de cancelamento para se inserir corretamente em diversas culturas.
Infere-se, então, que a cultura do cancelamento é essencial na luta contra os crimes de discriminação. Desse modo, é imperiosa a ação do Ministério da Justiça, em parceria o Ministério da Educação, que devem promover políticas públicas para adequação e resolução de diversas questões sociais, por meio de reclusões, para ações consideradas criminosas, como também, desenvolver palestras e ensino sobre diversidade cultural, de forma garantir o respeito aos diversos valores sociais e, por conseguinte, resultar em relações sociais com comportamentos saudáveis.