Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 26/08/2020
A partir do século XX, com a Terceira Revolução Industrial, o mundo passou por mudanças tecnológicas e políticas, consolidando a inter-conexão de pessoas e o maior fluxo de dados pela internet, tudo isso com o advento da Globalização. No que se refere ao novo mundo globalizado, tal inter-conexão de pessoas permitiu o surgimento da cultura do cancelamento, sendo caracterizada como uma maneira de atingir a justiça social por meio da trivialização de acontecimentos polêmicos atuais. Entretanto, a cultura do cancelamento gera grandes contradições no meio social, pois com a falta de consciência coletiva e o mal uso das ferramentas digitais pode gerar grandes injustiças sociais.
Em primeiro lugar, como visto anteriormente, a cultura do cancelamento quando aderida de uma maneira radical, pode gerar grandes injustiças sociais e prejuízos culturais. Isso ocorre devido às inúmeras divergências étnicas, religiosas e políticas no mundo atual, usando o advento de ações iconoclastas para obter vantagem ou denegrir certa doutrina contrária. Em 2016, uma igreja na Carolina do Norte, Estados unidos, foi fechada devido ao cancelamento em redes sociais, pois foi acusada de não permitir a participação de hispano-americanos, no entanto, o ritual religioso era exclusivo para americanos e fazia parte da cultura local desde 1958. Logo, é exemplificado a falta de consciência coletiva no que tange a cultura do cancelamento, denegrindo culturas contrárias e gerando injustiças.
Em segundo lugar, o boicote de personalidades torna-se um dos maiores focos de grupos radicais que aderem a cultura do cancelamento. No que tange ao fluxo de dados da internet, muitos arquivos ficam armazenados em sistemas vulneráveis, podendo ser acessados por grupos radicias no meio digital, logo, o boicote de personalidades e os ataques à figuras públicas tonam-se outro caso de falta de consciência coletiva e falha do Estado na proteção da integridade da população. Segundo uma pesquisa da Universidade de São Paulo, o Brasil é um dos países mais vulneráveis em segurança digital do mundo, com crescimento de 78% de tentativas de fraude. Logo, fica evidente que a participação do Estado para assegurar uma cultura do cancelamento forma cética é necessária.
Portanto, diante dos avanços digitais pós Terceira Revolução Industrial, cabe ao Governo promover investimentos em educação e segurança digital, garantindo a trivialização do bom uso da cultura do cancelamento. A priori, O Ministério da Educação deverá implantar nas grades escolares aulas sobre consciência digital, estimulando os adolescentes e jovens a tomarem conhecimento de suas ações na internet, logo, a ciência do bom uso da cultura do cancelamento e as contradições presentes em tal doutrina serão minimizadas, consolidando o objetivo da justiça social. Ao Ministério da Segurança, cabe a criação de projetos de segurança digital, portanto, garantindo a integridade social no século XXI.