Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/08/2020
A Constituição Brasileira de 1988, documento jurídico mais importante do país, garante o acesso à informação e a liberdade de expressão a todos os cidadãos. No entanto, a falta de senso crítico tem gerado desequilíbrio social. Se por um lado a cultura do cancelamento tornou as pessoas mais cautelosas em falar sobre assuntos polêmicos; por outro, o prejulgamento e a falta de provas fazem com que alguns indivíduos sofram sem ter feito absolutamente nada.
Em primeira instância, é importante ressaltar que o ato de cancelar o outro nas redes virtuais fez com que os cidadãos repensassem nas suas divulgações. Consoante Hans Jonas, em sua obra “Princípio da Responsabilidade”, as pessoas devem atuar de forma que os efeitos de suas ações sejam benéficos para a geração futura. Sob essa ótica, a cultura do cancelamento tem se preocupado com tal pressuposto, tendo em vista que atitudes racistas, preconceituosas e intolerantes são menosprezadas pelos internautas. Por conseguinte, os usuários pensam nos prejuízos que podem ter antes de usar as redes sociais para promover os seus pensamentos desvirtuados e olhar preconceituoso. Paradoxalmente, convém relacionar que apesar da cautela ter aumentado, algumas notícias falsas são compartilhadas sem o senso crítico devido. Exemplo disso foi o fato ocorrido no Guarujá, São Paulo, de acordo com o jornal O Globo, em 2014, uma mulher foi espancada até a morte por ter suas fotos divulgadas, em consonância da notícia que fazia magia negra com crianças. Percebe-se, nesse viés, a falta de verificação e a irresponsabilidade das pessoas que repostam mentiras sem se preocupar com a veracidade dos fatos, sendo a calúnia prevista como crime, segundo o Código Penal Brasileiro. Logo, é necessário melhorar o pensamento crítico e não agir de maneira precipitada diante da rede de comunicação.
Fica claro, portanto, que medidas precisam ser tomadas para resolver esses impasses e a liberdade de expressão não será um problema. Em vista disso, cabe ao Ministério da Educação incluir disciplinas curriculares que tratem dos direitos e deveres previstas na Carta Magna, além de desenvolver o senso crítico dos discentes, por meio de debates e palestras que relatem as dificuldades sociais, incluindo o meio virtual e suas complicações, a fim de torna-los críticos, cautelosos e prontos para reprimir atitudes que tragam desarmonia na sociedade. Assim, a geração futura não terá os mesmos erros que a atual e a cultura de cancelamento será de fato efetiva.