Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 29/08/2020

Em 16/9/2019,o youtuber sueco Felix Arvid afirmou que doaria dinheiro para a Liga Antidifamação,ONG americana que luta contra o antissemitismo .Porém,a organização já foi depreciada por apoio a movimentos políticos de esquerda,o que gerou fortes críticas de inscritos no canal de Felix para efetuação de seu ato.Nesse viés,percebe-se a presença de uma cultura cada vez mais dominante no âmbito tecnológico:a do cancelamento.Assim,urge analisar os efeitos dessa cultura no Brasil, como ataques virtuais a pessoas e falta de debate sobre a questão, para que sejam sanados.

A priori,convém destacar que,nas relações sociais de caráter digital, muitas pessoas,ao se depararem com algum registro fotográfico, por exemplo, que exponha um erro cometido por uma celebridade ou desconhecido, optam por emitir difamações contra o cancelado.Sob essa ótica, o bacharel em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo Diogo Soares afirma que”o mundo atual não passa por um processo circulatório de valor, mas sim por perseguições e sentimentos centrados na egolatria”.Destarte, o massivo julgamento empregado pelos canceladores às condutas humanas visa,em várias ocasiões,a consolidar a superioridade moral desses nas comunidades virtuais ,o que evidencia a logística punitiva e o ideal individualista presente nessas críticas.

Outrossim,depreende-se que a ausência de discussões, no contexto tecnológico,relacionados a ações questionáveis praticadas por figuras(públicas ou comuns),constitui outro efeito para manutenção da problemática no país.Nesse cenário,o escritor Augusto Cury,em sua obra Inteligência Multifocal,retrata que”a discussão de ideias e opiniões diversas na sociedade representam um alicerce do sistema formativo intelectual e crítico”.Analogamente,é notável que atualmente muitos indivíduos,movidos pela tendência comportamental imediatista,prezam pela rápida avaliação de atitudes reprováveis feitas por pessoas,sem esperar a versão do cancelado sobre o assunto em si,o que pode gerar impactos negativos na vida destes, a exemplo da possível perda de emprego para que a reputação da empresa vinculada ao trabalhador não seja comprometida e desenvolvimento de doenças psicológicas ,em razão das exarcebadas ofensas proferidas contra esse receptor.

Portanto,redes sociais,como Twitter,devem elaborar técnicas verificativas de informações detalhadas para casos de ofensas virtuais ,por meio de softwares treinados,visando proteger o cancelado dos ataques, controlar o índice de punitivismo dos canceladores.Ademais,o Governo Federal, por    intermédio do MEC, deve inserir na grades curriculares públicas e privadas a disciplina de Ética e Cidadania, por meio do engajamento às disciplinas de Sociologia e Filosofia, a fim de que seja discutida a temática do respeito e diálogo como meio fulcral de sanar conflitos.Assim,o impasse seria amenizado.