Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 28/08/2020
Após os anos 2000, houve uma popularização da internet, onde várias pessoas falavam aberta e tranquilamente sobre suas opiniões. Porém, por volta de 2017, começou a se criar uma cultura de cancelamento, que consistia em dar voz aos grupos oprimidos da sociedade, dessa forma, chamando atenção para causas sociais e prevenção ambiental. Em contrapartida, essa cultura passou a ser intolerante, cancelando pessoas até mesmo por erros passados, por postagens de anos atrás, sendo esse um dos principais problemas do cancelamento na sociedade contemporânea, além disso, passou a existir um linchamento virtual de quem é considerado errado, mesmo na época das fake news, em que as informações nem sempre são confiáveis. Assim sendo, a cultura de cancelar se distanciou do objetivo inicial e virou algo nocivo para a sociedade.
Em Outubro de 2019, o cantor Raul Seixas foi “cancelado” nas redes sociais, 30 anos após sua morte, pois foi acusado de entregar Paulo Coelho para ser torturado, na época da Ditadura Militar. Nesse contexto, é possível perceber como a intolerância da cultura do cancelamento é prejudicial para a sociedade e para os civis, visto que essa acusação é inconclusiva, pois no período em que aconteceu, alguns documentos redigidos pela Polícia, por vezes, tinham o objetivo de produzir culpa em pessoas públicas, criando um atrito na classe artística. Exemplo disso foi o caso de Wilson Simonal, que foi acusado de delatar artistas ao Dops.
Somado à isso, há também o problema do linchamento virtual. Em Junho de 2017, Emmanuel Cafferty, teve um vídeo postado no Twitter fazendo um sinal de “ok” com os dedos, que também pode ser relacionado à supremacia branca. Nesse contexto, Emmanuel, que não sabia da conotação racista do símbolo, foi acusado de ser racista, perdeu o emprego e sofreu um severo linchamento virtual e até ameaças. Portanto, é notável as consequências do linchamento virtual já que abala o psicológico e denigre a imagem de pessoas que, muitas vezes, são inocentes ou leigas no assunto e iguala esse grupo com quem atacam deliberadamente uma classe social minoritária.
Diante dos problemas apresentados pela cultura do cancelamento, é substancial que o Governo Federal, evidencie, por meio de propagandas nas redes sociais, o problema da intolerância no cancelamento e os efeitos que os acusados sofrem, para que aumente a tolerância e diminua o número de inocentes e leigos cancelados. Além disso, é mister que a Polícia Civil aumente sua presença nas redes sociais, por meio de sinalizações e exemplificações de quais atitudes podem ou não ser considerados crimes, fazendo com que a vítima possa se defender da agressão. Por consequência, o cancelamento estará mais próximo do motivo inicial: dar voz para os grupos sociais oprimidos.