Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/08/2020

No preâmbulo da Carta Magna brasileira, definiu-se o Estado Democrático como imprescindível ao exercício da cidadania. Hodiernamente, contudo, o advento das tecnologias digitais, por exemplo, fomenta posturas à margem da democracia. Sob esta perspectiva, o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea representa ainda enormes desafios. Pode-se dizer, então, que a irrazoável interferência estatal e a forte mentalidade individualista do empresariado são os principais responsáveis pelo quadro.

Primeiramente, deve-se ressaltar a inoperância governamental para combater a difusão de ideais totalitários. Nos termos da Constituição Federal, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Em face da atuação inescrupulosa das autoridades, de acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, em 2016, a maioria dos grupos que endossavam a cultura do cancelamento nas redes sociais mantinham estreitas relações com movimentos fascistas. Dessa forma, geram-se condições favoráveis ao recrudescimento de ideologias nefastas, e os direitos mais básicos positivados em lei, como o direito à estabilidade política, são ameaçados.

Outrossim, a exclusiva ambição lucrativa é parte elementar do problema. Acerca disso, destaca-se um dos princípios mais primários da Filosofia Patrístico-Escolástica, do qual se deduz que o bem pessoal, em detrimento do coletivo, ocasiona inúmeros transtornos para uma comunidade. Em pesquisa realizada pela revista Exame, verificou-se que 67% dos empresários financiavam atividades econômicas inerentes à cultura do cancelamento. Logo, desrespeitam, em nome de interesses individuais, importantes concepções da metafísica cristã, culturalmente consagradas, que equilibram as relações humanas. Dessarte, o bem grupal padece sob o jugo de interesses egoístas.

Portanto, são necessárias medidas capazes de restabelecer a ordem democrática. Cabe ao Governo Federal, atuar em favor da população, pela gênese de dispositivos legais, a fim de coibir qualquer tendência concernente a doutrinas funestas, e assegurar o direito à segurança nacional. Ademais, o corpo social deve pressionar especialmente os empreendedores a encerrarem o custeio de negócios que promovam a cultura do cancelamento, por meio de atos educativos e campanhas de mobilização, com o intuito de impedir a prevalência de comportamentos ofensivos. Assim, obter-se-ão os requisitos mínimos à restauração da soberania popular.