Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 24/08/2020
O filme “A Rede Social” mostra a história de criação do Facebook, e destaca a rapidez com que as informações e perfis se espalham na web. Entretanto, na atualidade, existe a cultura do cancelamento, a qual a agilidade das notícias do que as pessoas fazem destrói reputações e traz punições, que quando injustas, são graves problemas. Nesse contexto, o hábito de não checar as fontes de informação é problemático.
É fato que muitos usuários não verificam a veracidade das notícias que circulam na rede, e prova disso é o amplo debate, em 2020, no poder judiciário, do Inquérito das fake news. Nesse viés, isso acontece porque, dada a quantidade de informações que chegam, as pessoas não conseguem verificar as fontes de todos os fatos que veem, apenas os aceitando como verdadeiros. A partir disso, há o fenômeno do comportamento de manada, que, segundo Sigmund Freud, importante psicanalista, acontece quando as pessoas, por agirem em conjunto, ganham motivação para agirem de maneira destrutiva. Com efeito, uma multidão de internautas se unem para derrubar a reputação de uma pessoa.
Além disso, é imperativo ressaltar a falta de checagem dos fatos também por parte das empresas. Tal problema existe porque, no “cancelamento”, as organizações recebem acusações quanto ao comportamento dos seus funcionários ou contratados. Consequentemente, os acusados perdem a parceria ou emprego, muitas vezes sem possibilidade de defesa, semelhante ao que aconteceu recentemente com a cantora Anitta. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, nesses casos, o Estado deve intervir para garantir o equilíbrio dos julgamentos.
Portanto, é necessário enfrentar as injustiças da cultura do cancelamento. Dessa forma, cabe ao Governo Federal, em parceria com a mídia, por meio de campanhas publicitárias, incentivar que os internautas chequem as fontes das informações divulgadas, com a finalidade de impedir que notícias falsas circulem. Outrossim, o Ministério da Justiça deve conscientizar as empresas a darem amplo direito a explicação aos acusados nos “cancelamentos”, a partir de palestras nos Encontros de profissionais de Recursos Humanos, nacionais e regionais, o que resultará em menos prejuízos profissionais para as vítimas. Assim, as conexões nas redes sociais continuarão rápidas, mas também saudáveis.