Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 24/08/2020
No episódio “Odiados pela nação”, da série antológica de ficção científica “Black Mirror”, pessoas vítimas de críticas nas mídias sociais começam a morrer de maneira misteriosa. Analogamente, na sociedade contemporânea, o mundo virtual transfigurou-se em uma ferramenta para a propagação da difamação. Nesse sentido, em um mundo cada vez mais narcisista, a exibição exagerada se torna um grave problema, contribuindo para que a cultura do cancelamento atue nas relações de poder.
Em primeira análise, é evidente que a geração atuaç é marcada pela ampliação da exibição virtual. Sob esse ponto de vista, Guy Debord, em sua obra “A sociedade do espetáculo”, faz crítica à sociedade imagética que vive alienada na espetacularização e atuação de uma realidade paralela. Dessa forma, a superexposição pode gerar imagens superficiais e distorcidas facilitando processos de retaliação, julgamentos controversos e repressões por atitudes ilustrativas que visam apenas notoriedade.
Além disso, analisa-se a característica sutil e complexa que a microfísica do poder detém. Para Foucault, todas as instituições participam das estruturas manipulativas, moldando relações e comportamentos. Por isso, é comum que uma onda de cancelamento rapidamente se espalhe nas redes sociais, ou seja, os comportamentos ocorrem de maneiras repetitivas por conta das influencias de um indivíduo sobre o outro. Logo, essas reproduções de atitude refletem as necessidades de autoafirmação e aceitação no meio social.
Depreende-se, desse modo, a necessidade de interromper com a cultura do cancelamento. Portanto, apesar de desafiador, o Poder Público, juntamente com as grandes redes de mídia, pode vincular campanhas publicitárias que exponham os riscos da superexposição, com relatos de figuras públicas que foram “canceladas” por esse fato. Assim, pretende-se formar o censo crítico da população para que se diminua a espetacularização e também as reproduções de comportamento em massa.