Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 02/09/2020

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar social. No entanto, a cultura do cancelamento cada vez mais recorrente nos últimos anos, nos mostra que ainda é necessário analisar tal postura social, visto que, no mundo inteiro gera consequências graves advindas a falta de consciência acerca das responsabilidades sociais, bem como uma parcela da sociedade contemporânea não aceitar o progresso daqueles que já erraram um dia.

A educação é o fator principal no desenvolvimento do País. Atualmente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente o oposto, e o resultado desse contraste é claramente refletido no comportamento do País diante ao não reconhecimento dos deveres associados à cultura do cancelamento. De acordo com os dados oficiais da BBCnews, pode-se citar a situação que ocorreu com Emmanuel Cafferty americano, que por um simples gesto de “OK” postado no mundo digital, teve o seu direito empregatício restrito por ter confundido seu sinal como uma prática racista. Diante do exposto, a irresponsabilidade de terceiros tiraram a condição de emprego de quem, em hipótese alguma tinha a intenção de ser intolerante.

Ainda assim, vale salientar a inexistência de enfrentar uma concisão de uma segunda chance para quem identificou ações erradas e buscou evolução. De acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações políticas, sociais e econômicas é a característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, pode-se afirmar que a responsabilidade social em relação a cultura do cancelamento é a grande ferramenta para construir as bases de uma equilibrada relação com a contradição na sociedade contemporânea. Sendo assim, os que são atingidos por ódios e ofensas pela internet terão maiores oportunidade de uma relação saudável no que tange às suas necessidades de publicar algo que gostem sem sofrer com as consequências do mal entendimento.

Portanto, a mídia, mas também a sociedade, deve promover campanhas de debates com cunho informativo por meio da divulgação de livros e matérias confiáveis, contanto que o espaço seja aberto e gratuito a todo o público, independente de questões como sexo, gênero e cor, com o intuito de difundir temas importantes até então tratados com descaso, assim como racismo, LGTB , gordofobia etc. E, por fim permitir não só a identificação de condutas como a possibilidade de uma discussão saudável.