Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 24/08/2020
A ascensão do uso da internet no mundo contemporâneo proporcionou a aproximação entre os diversos seres conectados às redes de interação e intensificou a exposição de ideias e de condutas. Contudo, é notável que tal exploração dos aplicativos sociais corrobora a lamentável “cultura do cancelamento”, caracterizada pela aplicação de juízos de valor nas atitudes das personalidades na “web”. Nesse sentido, é perceptível o alastramento desse fenômeno na hodiernidade, “fruto” da danosa reprodutibilidade de costumes e da dantesca falência da empatia. Assim, é imprescindível a adoção de medidas socioeducativas para a resolução desses fatores e o combate ao processo excludente.
Em primeiro lugar, é necessário destacar a contribuição da danosa reprodutibilidade de costumes para o fomento da “cultura do cancelamento”. Nesse viés, segundo Walter Benjamin, sociólogo da Escola de Frankfurt, o mundo contemporâneo é marcado pela padronização de condutas, aspecto que converge na reprovação social de ações e de ideias deslocadas do senso comum. Com isso, é visível que tal particularidade proporciona o avanço das exclusões citadas - visto que tais atos são promovidos por usuários da internet que discordam dos discursos apresentados por outros, o que torna as diversidades políticas e ideológicas escassas e proporciona a consolidação dos padrões. Desse modo, fica evidente o impacto desse fator no avanço dos processos apresentados e a imprescindibilidade do seu combate.
Além disso, é importante ressaltar a dantesca influência da apatia social na construção do cancelamento citado. Nessa perspectiva, de acordo com Gilles Lipovetsky, sociólogo francês, em suas teorias sobre o “hiperindividualismo”, as sociedades pós-modernas são esvaziadas de empatia, fato que é o precursor de diversos problemas sociais. Nessa percepção, é notório que não se observar as consequências externas dos atos reverbera a cultura excludente - na qual os impactos da aplicação de juízos de valor abalam a imagem pública dos indivíduos e os torna alvo de agressões físicas e verbais. Dessa maneira, torna-se explícito o papel da falência das análises comunitárias das ações na consolidação dos processos expostos e a necessidade do seu embate.
Portanto, a lamentável “cultura do cancelamento” é fruto de sociedades padronizadas e apáticas e precisa ser combatida. Por isso, é fundamental a atuação do Ministério da Cidadania, junto às escolas públicas e privadas, por meio de medidas socioeducativas nos colégios. Isso acontecerá com palestras semanais acerca do uso das redes sociais, da importância do respeito às opiniões e da necessidade da empatia. Tais eventos ocorrerão com sociólogos, professores e membros do órgão estatal que discutirão com os alunos e ensinarão métodos para o embate aos atos excludentes na “web”. Dessa forma, as gerações futuras mitigarão esses atos e retomarão os aspectos benévolos do uso da internet.