Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 19/10/2020
O termo ‘‘cancelar’’ é novo nas redes sociais e é utilizado quando alguém, principalmente famoso, diz algo que é controverso, ofensivo ou preconceituoso. E a partir desse pronunciamento, essa pessoa é cancelada nas redes sociais. A chamada ‘‘cultura do cancelamento’’ foi muito marcante em 2019, e por isso o dicionário australiano Macquarie a elegeu como palavra do ano.
Em primeira análise, é válido ressaltar os pensamentos antagônicos entre julgamento público, ato de cancelar, com o método socrático, conhecido como Maiêutica, que consiste na multiplicação de perguntas, induzindo o interlocutor na descoberta de suas próprias verdades. Dessa forma, diferentes das concepções do filósofo, as atuais ações na internet representam empecilhos no desenvolvimento do conhecimento e amadurecimento da pessoa julgada, uma vez que tira o direito ao entendimento devido do assunto.
Em segunda análise, julgar que um pensamento é imutável e oprimir pessoas por eles, é na filosofia de Foucault, uma forma de tirania, posto que nelas todas as atitudes também têm o objetivo de vigiar e punir. Essa cultura do cancelamento, gera uma busca inalcançável pela perfeição, para ser aceita em um grupo social coeso, sendo necessário seguir regras impostas para não ser alvo de críticas.
Portanto, cabe ao Governo Federal, usar de sua influência para reduzir as consequências do tema e para evidenciá-las aos usuários das redes sociais, por meio de campanhas de conscientização com auxílio de profissionais especializados no tema. Analisando o trecho ‘‘No meio do caminho tinha uma pedra’’ de Carlos Drummond de Andrade, podemos entender a ‘‘pedra’’ como essa necessidade de ‘‘cancelar’’ as pessoas, que é um impasse para a boa convivência em sociedade.