Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/08/2020

Durante a segunda metade do século XX, a Revolução técnico-científico-informacional trouxe o advento da tecnologia como pauta majoritária. No entanto, com o crescente uso cibernético proporcionado, as redes sociais tornaram-se precursoras da chamada “cultura do cancelamento”. Sob essa perspectiva, é válido averiguar como a negligência do Poder Público e indiferença populacional interfere diretamente no imbróglio.

Em primeiro plano, cabe avaliar a omissão estatal como fator corroborante da problemática. Segundo o filósofo Michel Foucault, existe uma série de micropoderes os quais são exercidos cotidianamente pelas instituições e influenciam na construção social. Diante disso, infere-se que o Estado mostra-se displicente quanto a filtragem de conteúdos difamatórios, capazes de transformar negativamente a vida das pessoas “canceladas”. Assim, sem o auxílio governamental, a internet continuará a propagar comportamentos de desprezo e ódio.

Ademais, é indispensável salientar a rigidez da população como catalisador do empecilho. De acordo com o conceito de violência simbólica, desenvolvido pelo pensador Pierre Bourdieu, essa forma de violência seria exercida pela classe dominante e faria com que o indivíduo menos privilegiado a aceitasse como natural. Nesse sentido, depreende-se a seletividade da sociedade civil no que tange a escolha da vítima do cancelamento. Desse modo, além de ser uma prática opressora, também reforça  a austera hierarquização social presente no país.

Portanto, indubitavelmente, é preciso que o debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea seja majorado no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, como viabilizador do ensino, inserir em escolas e universidades aulas lúdicas semanais que abordem a questão da intolerância presenciada na internet como algo a ser combatido, por intermédio  de uma reforma curricular. Tudo isso deve ocorrer com o fito de alertar, desde cedo, sobre as atrocidades vivenciadas online. Dessa maneira, ter-se-á uma nação verdadeiramente beneficiada pelos adventos da Revolução técnico-científico-informacional.