Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 23/08/2020
Vive-se no século XXI a chamada Indústria 4.0, em que a troca de dados e a integração de sistemas mediante a internet cresce exponencialmente. Nesse sentido, o surgimento de novos impactos sociais, como a “Cultura do Cancelamento”, é evidente. Desse modo, o problema persiste não só pela incapacidade de atuação do Estado na internet que garanta a possibilidade de defesa do usuário, mas também da falta de compromisso com a verdade da população.
É fulcral pontuar, primordialmente, que as perturbações do linchamento virtual derivam da impossibilidade estatal em assegurar, na internet, a possibilidade de defesa. Nessa lógica, de acordo com a Constituição Federal de 1998, o direito à defesa é fundamental e inerente à pessoa humana. No entanto, nota-se, no Brasil, que o problema apresentado rompe com o descrito na lei, uma vez que a população julga o acusado sem garantir-lhe direito de resposta às acusações, que o faz desenvolver problemas psicológicos, financeiros e muitas vezes de integridade física. Sendo assim, o Estado, que deveria garantir a correta aplicação da lei, é não só insuficiente, como também prejudicial à qualidade de vida na internet.
Além disso, é imperativo ressaltar que a falta de compromisso com a verdade da sociedade auxilia no que tange a problemática. Nessa perspectiva, de acordo com o Método Socrático, desenvolvido pelo filósofo Sócrates, podemos chegar à verdade pelo questionamento de opiniões, convite ao debate e na busca de argumentos contraditórios. Evidentemente, nas redes sociais, a população não utiliza do método proposto pelo filósofo, sendo facilmente manipulada pela massa de indivíduos com opiniões superficiais. Por conseguinte, a internet, que poderia ser um lugar de fácil acesso ao debate e a construção de boas ideias, acaba por superficializar e homogenizar os argumentos e opiniões dos usuários.
Portanto, é mister que o Estado tome providências a fim de melhorar o quadro atual. Seguramente, para que o problema da Cultura do Cancelamento seja amenizada, faz-se necessário que o Estado, por meio do Ministério da Cultura e Propaganda em parceria com Ministério da Educação, crie propostas que visem combater a impossibilidade de defesa do usuário na internet e também a falta de compromisso com a verdade da população quanto ao tema pautado acima, por meio de parcerias público-privadas com as redes sociais que objetive a criação de campanhas de conscientização em massa. Somente assim, poder-se-á atenuar o problema, para que se possa aproveitar as evoluções tecnológicas propiciadas pela Indústria 4.0.