Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 23/08/2020
Durante o ano de 2017 a hashtag #MeToo tomou conta das redes sociais, foi um movimento que reuniu e expôs depoimentos de mulheres vítimas de abuso sexual em Hollywood, e buscavam mudanças na sociedade. A partir disto a hashtag se espalhou mundo, e no Brasil, se tornou uma nova forma de justiça conhecida como cultura do cancelamento. Essa forma de justiça traz debates que podem ser benéficos, mas na maioria das vezes é usada de forma errada e prejudicial, pois houve uma subversão do sentido original e seu uso deve ser abandonado.
O movimento nasceu com uma finalidade nobre, em busca de justiça e mudança na sociedade, mas no Brasil, acabou motivando discursos de ódio na internet, e assim dando origem a um sentido totalmente diferente ao original e em muitos casos tomando dimensões desproporcionais. É válido ressaltar que quando uma pessoa é cancelada, a duração do impacto tem muito a ver com o lugar social em que o atingido está inserido e o peso que a sociedade vai dar a esse acontecimento, como por exemplo, o caso da blogueira Gabriela Pugliesi, que deu uma festinha durante a pandemia do COVID-19 e teve ao menos 5 contratos com marcas rescindidos, devido aos efeitos que o público causou.
Segundo o dicionário, a palavra cancelar tem como significado “eliminar ou riscar para tornar sem efeito” e é exatamente isso que a cultura do cancelamento da web propõe, basta um famoso ou não — apesar de que os famosos acabam sendo as principais vítimas — faça algo considerado errado para que as propostas de cancelamento comecem a surgir, paralelamente a esse cancelamento, podemos comparar com o linchamento, onde os cidadãos tem o objetivo de punir determinada pessoa, por conta de seus atos. A cultura do cancelamento é um linchamento virtual, voltado para qualquer um com opinião diferente da do agressor.
Em suma, vemos que a cultura do cancelamento no Brasil, se tornou apenas mais maneira de disseminar ódio no âmbito virtual, assim como o Barack Obama disse “Ela não é ativismo. Não traz mudanças…”. Portanto, cabe ao Governo Federal, criar um regulamento para que as plataformas sociais tenham que seguir e monitorar os seus usuários, proibindo e punindo os usuários que tentem usar o cancelamento como forma de justiça no âmbito virtual, tudo isso através dos seus Ministérios e com o apoio do Congresso Nacional, desta forma certamente teremos resultados positivos contra a cultura do cancelamento e o linchamento virtual