Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 24/08/2020

O preconceito com as opiniões não é uma invenção recente, na Idade média pessoas que acreditavam nos ideais diferentes do cristianismo eram condenadas pela igreja. Analogamente, isso continua e nas redes sociais ficou conhecido como a “cultura do cancelamento” que é o comportamento estigmatizado de usuários que discordam e julgam a conduta de outras pessoas, nesse sentido, convém analisar a falta de conscientização e a disseminação do ódio acerca da problemática.

Em primeira análise, a falta de percepção das pessoas em relação as consequências de suas ações, faz com que o problema se perpetue. Segundo o filósofo renascentista Nicolau Maquiavel a natureza humana é negativa e egoísta, em virtude disso, é possivel perceber que alguns usuários acreditam que tornaram-se juízes na internet que atacam e julgam sem levar em consideração os danos que essa crítica podem gerar em quem é “cancelado”. Sendo assim, questões que deveriam ser resolvidas pelo Poder judiciário ou até mesmo pelo próprio indivíduo acabam sendo divulgadas na internet tornando-se públicas, e consequentemente, comprometendo a vida pessoal e profissional da vítima. Exemplo disso, foi o que ocorreu com o cantor brasileiro Gustavito que supostamente acusado de estupro em uma publicação do facebook teve seus shows cancelados e seu patrocinadores o demitindo, em setembro de 2019 ganhou a vitória de calúnia na justiça contra a sua acusadora, mesmo com a vitória ele continuou “cancelado” nas redes.

Em segunda análise, o uso da internet como palco para a violência é frequente. No Império romano, na política do “pão e circo” escravos se enfrentavam até a morte em um anfiteatro para a diversão das camadas sociais. De forma análoga, os discursos de ódio e a violência vem se tornando espetáculos nas redes sociais, haja vista que a difamação, calúnia e as ofensas estão cada vez mais presentes na web. Sendo assim, o ato do cancelamento ainda que se ocorra por um clamor de justiça, acaba sendo movido pela emoção e não pela razão, o que contribui para a propagação da violência e para o distanciamento do seu objetivo principal.

Portanto, cabe ao Governo Federal criar medidas públicas e sociais por meio de campanhas que possam auxiliar sobre as consequências da cultura do cancelamento, isso pode ser feito também com discussões nas aulas de filosofia e sociologia das escolas a fim de gerar a conscientização coletiva de que a busca pela justiça não deve disseminar o ódio. Com essas medidas sendo adotadas é possível reverter episódios semelhantes ao que aconteceram na Idade média.