Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 23/08/2020
Na famosa série da Netflix, “Black Mirror”, é retratado um futuro distópico onde retrata as consequências das novas tecnologias. Nesse sentido, o início do episódio “Odiados pela nação” mostra mais de 200 mil pessoas revoltadas, através do Twitter, pedindo a demissão, e até mesmo a morte, de uma colunista muito famosa por um artigo controverso sobre uma cadeirante. Sendo assim, fora das telas, é fato que a realidade apresentada no episódio pode ser comparada com o contexto atual: a cultura do cancelamento. Dessa forma, problemas podem ser gerados por causa dessa nova forma de “justiça”, seja pela pressão da sociedade, seja pela busca de um ser perfeito.
Deve-se destacar, de início, a pressão da sociedade como um dos complicadores do problema. Nesse viés, é possível notar que a internet se tornou uma terra sem lei, onde o anonimato e a disseminação de ódio ganham cada vez mais força tornando as pessoas críticas em um nível extremamente absurdo, levando a agressões, xingamentos e perseguição. Sob essa ótica, hodiernamente, a população, através de redes sociais, se sente no direito de fazer justiça com as próprias mãos utilizando o cancelamento, exercendo uma pressão enorme sobre o indivíduo cancelado. Assim, os “cancelados” acabam, de certa forma, perdendo a liberdade de expressão, pois suas opiniões não são aceitas pela sociedade, causando mais desavenças.
Outrossim, vale ressaltar que a situação é corroborada pela busca de um ser perfeito. Nessa lógica, assim como existe o cancelamento, também existe a questão da exaltação exagerada que consiste em colocar certas pessoas em posições de superioridade. Nessa perspectiva, o termo “fada sensata” é o mais utilizado nas redes sociais, principalmente para as mulheres ou público LGBT, para classificar uma fala que mereça reconhecimento. Nesse seguimento, o próprio termo “fada” remete à algo fantasioso e perfeito portanto, a pessoa que recebeu esse título é considerada um ser sem defeitos aos olhos da sociedade por apresentar as melhores falas e atitudes. Dessa maneira, essa denominação pode gerar consequências muito mais negativas, pois qualquer deslize pode resultar em um cancelamento muito mais grave.
Em suma, é necessário que o Ministério da Educação e Cultura, em parceria com o Poder Legislativo, crie, por meio de verbas governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais que detalhem as consequências de “cancelar” uma pessoa e também estabelecer punições para aqueles que desrespeitarem os direitos de liberdade de expressão do próximo, a fim de garantir que a cultura do cancelamento se torne uma normalidade. Portanto, com tais implementações, os problemas mencionados serão uma mazela passada na História brasileira.