Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea

Enviada em 22/08/2020

A Constituição Federal, em seu artigo 5º, assegura a livre atividade tecnologia e comunicativa, assim como o uso das redes sociais, a integridade e a preservação dos usuários. Contudo, esse documento vem sendo ferido com a cultura do cancelamento nas mídias, que embora tenha começado com fito de expor impunidades, adquiriu provações e problemas imensuráveis. Dentre eles, a fomentação de discursos de ódio, marcada pelo preconceito e alimentado pelo anonimato, e a promoção de psicopatologia, devido a exclusões e xingamentos. Exigindo, dessa forma, medidas paliativas.

A princípio, é válido salientar que o cancelamento surgiu a partir de um movimento social, que visava expor assediadores famosos, entretanto, esses atos tomaram dimensões opostas. Uma vez que, movidos pela ideia de justiça, usam de ataques preconceituosos, com homofóbicos e racistas, e difamatórios, expondo intimidades dos envolvidos e, em alguns casos, ameaçando-os, tudo isso sustentado pelo anonimato nas redes sociais. De maneira análoga, esse fenômeno assemelha-se à Revolução Francesa do século XVIII, a qual a minoria buscava por justiça e punições aos nobres, sendo muito deles condenados à morte. Hodiernamente, a guilhotina mudou, agora os meios sociais, em especial Twitter, assumem seu papel, mas o poder de condenar ainda é equivalente, mostrando o quão grave é problemática se apresenta.

Outrossim, a Revolução Técnico-Científico-Informacional, entrada em vigor na segunda metade do século XX, ampliou, além do acesso à internet, os problemas mentais causados por essa aquisição. Logo, com a cultura de cassação, os envolvidos estão suscetíveis a transtornos psicológicos, como a depressão, devido as ofensas e exclusão nas redes sociais. A série Black Mirror, no episódio Odiados Pela Nação, mostra os internautas subindo a #DeathTo (morte a), a qual pessoas são condenadas virtualmente por seus atos e várias abelhas robóticas tentam matá-la, evidenciando como a ficção aparenta à realidade.

Por conseguinte, compete ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas, a criação de uma disciplina na Base Comum Curricular que, por meio de oficinas e debates, aborde temas sobre a tecnologia, instruindo os alunos a como agirem nas mídias sociais e os riscos que as ações supracitados podem gerar nos usuários, de modo a mudar hábitos e condutas na internet. E assim, com medidas graduais e progressivas, diminuir os atos e impactos da cultura de cancelamento e fazer valer a Carta Magna de 1988.