Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 27/08/2020
No mundo da internet, principalmente na área das redes sociais, um dos principais meios de uso da sociedade contemporânea, em, mas precisamente a partir de 2017, durante as denúncias de assédio sexual em Hollywood e do surgimento do movimento #MeToo, uma nova expressão foi começando aparecer com força total. Essa expressão diz respeito à chamada cultura do cancelamento, um termo que foi considerado o de maior destaque de 2018 até 2019, onde é bem comum ler que determinada pessoa foi cancelada. No entanto, essa cultura esta muitas vezes ligada a grandes debates na internet, visto que esse “movimento” está na “anulação” por completo, não busca o posicionamento do outro, além de ser uma forma até meio rasa de lidar com questões que são estruturalmente muito complexas.
Desse modo, a cultura do cancelamento foi ganhando um caminho banalizado, no qual destruiu a ideia do movimento inicial de mudança e conscientização, adquirindo punho de anulação por completo, onde não busca uma conversa, nem se colocar no lugar do outro, apenas julgar e condenar. De acordo com a colunista e feminista Stephanie Ribeiro “Acho que o [aspecto] negativo é a forma como a gente lida numa certa cultura do ‘hater’, do ódio, esquecendo que precisa fazer críticas mais embasadas e ter mais consciência coletiva da nossa responsabilidade”. Logo, fica evidente que as pessoas que “cancelam”, ganham um certo poder de julgar quem está correto e quem está errado, esquecendo que todo mundo já cometeu um erro a questão é perceber e tentar melhorar.
Além disso, vale ressaltar que a prática do cancelamento, evidência uma geração que não aceita mais discursos preconceituosos e patriarcais que tanto se fizeram presentes na história do Brasil, mas esquecem que esse novo método nem sempre é eficaz. Essa situação fica notória com o exemplo do jornalista William Waack, que foi demitido da Rede Globo após o vazamento de um vídeo no qual fazia comentários racistas, e teve sua contratação recentemente anunciada por uma nova emissora. Dessa maneira, “cancelar” não resolve um problema estrutural complexo, nesse caso, apenas reproduz uma lógica punitiva ao linchar quem muitas vezes fez um comentário por ignorância.
Infere-se, portanto, que os debates sobre a cultura do cancelamento tem seus altos e baixos, um movimento que veio com o quesito de denúncia e da voz aqueles que não tinham, acabou virando algo seletivo, necessitando de mudanças. Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação em parceria com a secretaria de educação, impor nas escolas aulas específicas para tratar de temas como esse, realçando a importância da empatia e dessa nova. Por fim, é essencial que os próprios proprietários, cada um de suas redes sociais, tenham noção do que iram compartilhar, e se efetuarem comentários preconceituosos sejam reportados recebendo através da lei a devida penalidade.