Debate sobre a cultura do cancelamento na sociedade contemporânea
Enviada em 24/08/2020
Em 2017, surgiu na internet um movimento das vítimas de assédio e estupro para denunciar os agressores. Essas denuncias ganharam visibilidade, as acusações se tornaram reais e um cineasta de Hollywood foi condenado e preso. Porém esse ato importante de união, abriu portas para a cultura do cancelamento. A liberdade de expressão não pode ser confundida com críticas e ameaças sem fundamento. Por isso é necessário discutir e tomar atitudes para que a cultura do cancelamento não reproduza uma sociedade mentalmente doente.
Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que a cultura do cancelamento são ataques massivos com uma ilusão de militância. Os usuários procuram arquivos antigos sobre a vida das pessoas com o objetivo claro de difamar. Normalmente o acusado não tem chance de se retratar, e quem decide não se posicionar é taxado como “passou pano” e é cancelado por não cancelar. Ou seja a internet virou um “campo minado” de vigilantes sociais, que não se preocupam com a proporção que isso causa na vida do outro.
As plataformas sociais são importantes instrumentos de manifestações, deram voz a muitas causas sociais da minoria que eram ignorados pela sociedade. A liberdade de expressão na internet foi uma ferramenta valiosa, e hoje a mídia perdeu parte da sua influência manipuladora, devido à autonomia dos usuários. Mas, com o tempo foi distorcido e se transformou na cultura do cancelamento. Como em 2019, uma blogueira cometeu suicídio no Brasil, após ter sofrido ataques na internet por decidir se casar com ela mesma, depois do noivo ter desistido do casamento.
Fica claro, portanto, que a cultura do cancelamento é um mal que precisa ser combatido. Como as crianças entram muito cedo nesse meio, é necessário que o Ministério da Educação inclua uma matéria para abordar o assunto e como agir diante diversas atitudes que acontecem na internet. O Estado em conjunto com as ONG’s e a mídia, precisam realizar uma campanha contra essa cultura e oferecer apoio psicológico a quem sofre. Só assim casos como o da blogueira ficará apenas no passado.